O Japão está avaliando uma liberação adicional de suas reservas de petróleo, equivalente a 20 dias de consumo doméstico, prevista para maio.
A decisão surge em meio a contínuas incertezas sobre a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz, apesar do recente cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, conforme revelado por uma fonte próxima ao assunto na quinta-feira (9).
Os Estados Unidos e o Irã haviam concordado com um cessar-fogo condicional de duas semanas na terça-feira (7), pouco antes do prazo autoimposto pelo presidente Donald Trump para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz ou enfrentasse a destruição de sua infraestrutura crítica.
No entanto, a incerteza persiste sobre se o estreito será reaberto ou operará nas mesmas condições de antes do conflito, especialmente com Israel continuando seus ataques ao grupo militante Hezbollah, afiliado ao Irã, no Líbano.
Estratégia de reservas nacionais
Diante desse cenário, o Ministério da Indústria está ponderando a liberação extra, preocupado com a possibilidade de uma continuação do fechamento efetivo do estreito.
O governo japonês já havia iniciado sua maior descarga de estoques de petróleo em meados de março, visando garantir um fornecimento estável após o lançamento de ataques EUA-Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, que deixou a crucial via marítima de transporte de energia amplamente fechada.
A meta do governo é disponibilizar um total de cerca de 80 milhões de barris de petróleo, o equivalente a aproximadamente 50 dias de consumo, ao mercado.
Esse volume virá de reservas mantidas pelo estado, pelo setor privado e por países produtores do Golfo. Desse total, o petróleo estatal, que cobre 30 dias de consumo, está programado para ser liberado de 11 bases em todo o país até o final de abril.
Como um país pobre em recursos, o Japão depende de importações para quase todo o seu petróleo bruto, com mais de 90% proveniente do Oriente Médio.
Essa dependência estratégica torna a segurança das rotas marítimas e a estabilidade do fornecimento de energia questões de segurança nacional cruciais.
Cooperação Internacional e IEA
A primeira-ministra Sanae Takaichi expressou seu apoio a uma possível liberação conjunta adicional de estoques de petróleo pela Agência Internacional de Energia (IEA), que conta com 32 membros.
A declaração foi feita durante um encontro com o diretor executivo da IEA, Fatih Birol, em Tóquio no mês passado.
Os países da IEA também começaram suas liberações de reservas de petróleo em meados de março, totalizando mais de 400 milhões de barris.
Esta é a primeira ação coordenada desse tipo desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão em larga escala da Ucrânia, demonstrando a gravidade da situação energética global.
Fonte: MN



