Portal Mie PORTAL MUNDO
Radar

A difícil realidade dos homens da ‘Geração Perdida’ no Japão: ‘KKO’ e a luta contra o estigma social

A 'Geração do Gelo' no Japão enfrenta desafios crescentes, com milhões de homens lidando com baixa renda, solteirice e o estigma social de serem chamados de 'KKO'. Este artigo explora as causas e consequências dessa realidade.

PM

Portal Mie Editorial

⏱ 3min de leitura
A 'Geração do Gelo' no Japão enfrenta desafios crescentes, com milhões de homens lidando com baixa renda, solteirice e o estigma social de serem chamados de 'KKO'. Este artigo explora as causas e consequências dessa realidade.
Imagem Ilustrativa

Em 2014, manchetes de jornais do Japão anunciavam que ‘um em cada cinco homens permaneceria solteiro por toda a vida‘. A taxa de solteirice, que era de aproximadamente 2,6% em 1980, ultrapassou os 20%. Entre os homens na faixa dos 30 anos com empregos não regulares, 70% eram solteiros.

Enquanto 52,6% dos funcionários regulares tinham ‘desejo de casar’, essa porcentagem caía para 39,6% entre os não regulares. A causa não era apenas a disparidade salarial, mas também a proliferação de argumentos sobre falta de esforço e responsabilidade individual. Eventualmente, nas redes sociais, surgiu um movimento de zombaria em relação aos homens da Geração do Gelo, rotulando-os como ‘KKO’ (Kimokute Kane ga nai Ossan – velho nojento e sem dinheiro) e ‘homens fracos’.

Este artigo busca desvendar a verdadeira natureza da dificuldade de viver para os homens na era Reiwa, que são forçados a aceitar esse rótulo irresponsável.

A taxa de solteirice aos 50 anos para homens que trabalham em regime não regular atingiu 60% no Censo de 2020. Os principais motivos pelos quais os homens se identificam como ‘fracos’ são a baixa renda, seguida por ‘poucos amigos’ e ‘dificuldade em conversar com pessoas’. Atualmente, ‘casar e ter filhos’ tornou-se um símbolo de ‘vida bem-sucedida’ na sociedade.

A espiral da solidão e o estigma social

A escassez de interações com outras pessoas promove a solidão, diminui a autoestima e tem um impacto significativo na saúde física e mental. Homens de meia-idade ou mais velhos da ‘Geração do Gelo’, que foram forçados a manter a ‘masculinidade’, sentem vergonha de pedir ajuda mesmo quando estão em dificuldades, correndo um alto risco de entrar em uma espiral negativa de solidão.

Globalmente, a felicidade de homens de meia-idade é baixa, e a taxa de mortes solitárias é cinco vezes maior entre eles do que entre as mulheres. Além disso, a taxa de pobreza relativa para pessoas com mais de 65 anos está em ascensão para ambos os sexos, com 20,3% dos homens, ou seja, um em cada cinco, vivendo na pobreza.

É claro que as mulheres solteiras também enfrentam problemas sérios, com 35,1% delas sendo consideradas ‘mulheres fracas’. No entanto, como o termo ‘KKO’ nas redes sociais sugere, os homens são ridicularizados por sua própria dificuldade econômica, sendo considerados ‘nojentos’. É esse ‘olhar da sociedade’ que representa a verdadeira natureza de suas dificuldades de vida.

O que precisa ser enfrentado é a rigidez do país em continuar a considerar uma ‘família padrão’ como sendo composta por quatro pessoas e um trabalhador (casal com dois filhos), que representa menos de 5% do total de lares, conforme dados de pesquisas domiciliares. A situação de ‘homens fracos’ e ‘mulheres fracas’ é, em última instância, um fracasso da política.

Fonte: Yahoo