O Banco do Japão (BOJ) manteve suas taxas de juros estáveis em 0,75% nesta quinta-feira, conforme amplamente esperado. No entanto, a instituição alertou que os riscos de inflação agora estão inclinados para cima, principalmente devido à guerra no Irã.
Em seu comunicado, o BOJ informou que a decisão foi dividida, com oito dos nove membros votando a favor da manutenção das taxas. O único voto divergente foi de Hajime Takata, que considerou os ‘desenvolvimentos externos’ como um risco para os preços no Japão e propôs um aumento da taxa para 1%.
O Banco Central japonês explicou que, embora a inflação subjacente deva desacelerar temporariamente para abaixo de 2% no curto prazo, devido à diminuição do ritmo de aumento dos preços do arroz, o conflito no Oriente Médio exercerá ‘pressão de alta, afetada pela recente elevação dos preços do petróleo bruto’.
‘A atenção também deve ser dada ao impacto da alta dos preços do petróleo bruto nas perspectivas para a inflação subjacente do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)’, afirmou o banco.
A decisão ocorre em um momento em que Tóquio lida com as consequências do conflito no Irã, que tem elevado os preços da energia. O Japão importa cerca de 95% de sua energia do Oriente Médio.
Impacto do petróleo e negociações salariais
O Japão já liberou estoques de petróleo bruto, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi prometeu manter os preços da gasolina no varejo ‘sob controle’, com uma média nacional de cerca de 170 ienes por litro.
Analistas do banco holandês ING escreveram em nota na última sexta-feira que ‘será importante examinar de perto como o BOJ avalia as consequências econômicas do conflito no Oriente Médio e os resultados das negociações salariais da primavera. Esses fatores influenciarão se um aumento da taxa ocorrerá em abril ou junho’.
O Banco Central monitora de perto as negociações salariais da primavera, também conhecidas como ‘shunto’, que envolvem as federações trabalhistas do Japão e as maiores empresas do país. Após anos de salários estagnados, essas negociações são cruciais para alcançar de forma sustentável a meta de inflação de 2% do BOJ.
A inflação no Japão atualmente está em 1,5% em janeiro, marcando a primeira vez que a inflação geral caiu abaixo da meta de 2% após 45 meses consecutivos de superação.
Na quarta-feira, a mídia japonesa informou que muitas grandes empresas aceitaram integralmente as demandas de aumento salarial de seus sindicatos, o que marcaria o terceiro ano consecutivo em que os aumentos salariais superam 5%. O jornal Nikkei relatou que esta é a primeira sequência desse tipo desde 1989-1991, e que os resultados preliminares das negociações shunto serão publicados em 23 de março pela Confederação Sindical Japonesa, ou Rengo.
O aumento será um alívio bem-vindo para os trabalhadores japoneses, que viram seus salários reais diminuírem todos os meses em 2025. Em janeiro, no entanto, os salários reais subiram 1,4% em relação ao ano anterior.
A decisão do BOJ também ocorre em meio a relatos de oposição a aumentos de juros por parte da primeira-ministra Sanae Takaichi. Após sua vitória esmagadora na Câmara Baixa em fevereiro, o jornal japonês Mainichi Shimbun havia relatado que, no final de fevereiro, Takaichi expressou ‘relutância’ ao governador do BOJ, Kazuo Ueda, sobre a possibilidade de aumentar ainda mais as taxas de juros.
Fonte: CNBC