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Bolsa do Japão pode sofrer nova queda forte com tensão no Irã

O índice Nikkei acumulou forte queda na última semana, pressionado pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Analistas alertam que a bolsa japonesa pode enfrentar mais uma abertura negativa na segunda-feira.

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Portal Mie Editorial

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O índice Nikkei acumulou forte queda na última semana, pressionado pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Analistas alertam que a bolsa japonesa pode enfrentar mais uma abertura negativa na segunda-feira.
Imagem Ilustrativa

O índice Nikkei, principal indicador da bolsa de valores de Tóquio, registrou forte queda na última semana e pode enfrentar uma nova abertura negativa nesta segunda-feira (16), em meio à escalada das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

O Nikkei fechou o pregão de sexta-feira (13) em 53.819,61 pontos, queda de 633,35 pontos em relação ao dia anterior. No acumulado semanal, o índice caiu 1.801,23 pontos, refletindo a crescente preocupação dos investidores com o cenário geopolítico e econômico global.

Desde o início dos ataques contra o Irã, o Nikkei acumula uma queda de 8,55%, equivalente a mais de 5.030 pontos em relação ao nível registrado em 27 de fevereiro, antes do início das operações militares.

A pressão sobre o mercado japonês também vem das ações de tecnologia e semicondutores, que tiveram forte recuo. A empresa Advantest, fabricante de equipamentos de testes para chips, caiu 8,01% na semana, impactando o índice em cerca de 550 pontos.

Outras gigantes do setor também registraram perdas. A Tokyo Electron recuou 8,26%, enquanto o SoftBank Group, investidor da OpenAI — conhecida pelo desenvolvimento do ChatGPT — caiu 8,86% no mesmo período.

Somadas, as três companhias responderam por cerca de 1.175 pontos de pressão negativa sobre o Nikkei. Além disso, 182 das 225 empresas que compõem o índice registraram queda, o que representa cerca de 81% das ações.

Entre os casos mais expressivos está o SoftBank Group, cujo valor das ações despencou para 3.578 ienes, cerca de 47,6% abaixo da máxima registrada em outubro, quando o papel chegou a 6.829 ienes. A empresa acumula agora quatro semanas consecutivas de queda.

Investidores adotam postura de cautela

A instabilidade geopolítica também está afetando o sentimento dos investidores. Indicadores de valorização mostram que o mercado passou a exigir preços mais baixos para investir.

O PER (Price Earnings Ratio) do Nikkei — indicador que compara o preço das ações com os lucros esperados das empresas — caiu para 22,3 vezes, abaixo das 24,4 vezes registradas antes do início do conflito.

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 também apresentou redução no PER, que caiu para 20,9 vezes, nível semelhante ao registrado durante a turbulência causada pelas políticas comerciais do presidente Donald Trump no final de abril.

Escalada militar no Irã aumenta incerteza

No cenário internacional, o conflito continua se intensificando. O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que forças militares destruíram completamente um alvo estratégico na ilha de Kharg, no Golfo Pérsico.

Apesar de não terem sido atacadas infraestruturas petrolíferas, Trump alertou que os Estados Unidos podem rever essa postura caso o Irã ameace a liberdade de navegação no Estreito de Hormuz, rota vital para o comércio global de petróleo.

O líder americano também pediu que Japão, China, França, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios militares para ajudar a garantir a segurança na região.

Por outro lado, autoridades iranianas afirmaram que não haverá cessar-fogo enquanto os ataques dos Estados Unidos e de Israel continuarem, segundo informações da agência Reuters.

Risco de nova queda na segunda-feira

Diante desse cenário, analistas avaliam que o mercado japonês pode sofrer mais uma forte queda na abertura desta segunda-feira (16).

Nas últimas semanas, a bolsa de Tóquio mostrou forte volatilidade após o agravamento da crise no Oriente Médio. No primeiro pregão após o início dos ataques, o Nikkei caiu 793 pontos (1,35%), enquanto na semana seguinte despencou 2.892 pontos (5,20%).

Com a situação no Irã ainda sem perspectiva de melhora e com a aproximação da reunião do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos, investidores temem que novas incertezas econômicas possam pressionar ainda mais os mercados globais.

Especialistas apontam que o desempenho do Nikkei nas próximas semanas dependerá principalmente da evolução do conflito no Oriente Médio e das decisões de política monetária nos Estados Unidos.

Fonte: IG