O chanceler chinês, Wang Yi, realizou uma coletiva de imprensa em Pequim no dia 8, durante a sessão da Assembleia Popular Nacional (equivalente ao parlamento). Em relação às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi no parlamento sobre uma possível contingência em Taiwan, Wang Yi reiterou a advertência, afirmando: “A questão de Taiwan é um assunto interno da China. O Japão tem qualificação para interferir?“.
O governo chinês tem criticado o fortalecimento da capacidade de defesa promovido pelo governo de Sanae Takaichi, chamando-o de “renascimento do militarismo“. Wang Yi enfatizou: “Se recordarmos que o militarismo japonês no passado invadiu sob o pretexto de uma ‘crise de sobrevivência’, é natural que os povos da China e da Ásia tenham forte vigilância e preocupação com o Japão’. Quanto ao futuro das relações sino-japonesas, ele declarou: ‘Para onde elas se dirigirão depende da escolha do Japão”.
Pequim intensifica pressão e Japão busca diálogo
Sobre a questão de Taiwan, Wang Yi afirmou: “O processo histórico de realização da reunificação da pátria não pode ser impedido. Aqueles que o seguem prosperarão, e aqueles que se opõem perecerão”. Embora evitando nomear diretamente, ele se referiu aos Estados Unidos, dizendo: “Guerras e conflitos estão ocorrendo um após o outro no mundo. Nós nos opomos firmemente a todos os atos unilaterais e ao bullying autoritário”. Em relação à situação no Irã, ele apelou: ‘É uma guerra que não deveria ter acontecido, e as ações militares devem ser interrompidas imediatamente para evitar a expansão do conflito’.
A liderança chinesa de Xi Jinping, em resposta às declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre uma contingência em Taiwan, tem aumentado gradualmente a pressão diplomática e econômica sobre o Japão. Enquanto há uma perspectiva de que o esfriamento das relações sino-japonesas continue por vários anos, o governo japonês está apressando a desvinculação da dependência chinesa em relação a terras raras e outros recursos, em colaboração com os EUA e a Europa. Ao mesmo tempo, busca melhorar as relações aproveitando a oportunidade da Cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), que será realizada em novembro em Shenzhen (Guangdong).
“Com a APEC se aproximando, queremos nos esforçar para que as relações sino-japonesas se estabilizem, mesmo que um pouco”, disse Kenji Kanasugi, embaixador do Japão na China, em 5 de março, após participar da cerimônia de abertura da Assembleia Popular Nacional, em entrevista à Phoenix TV de Hong Kong. Os canais diplomáticos em Pequim permanecem interrompidos, e o embaixador apelou à China para ‘responder ao diálogo’.
Fonte: Nishi Nihon Shimbum