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Crise no Equador: 75 mil militares e policiais atuam sob toque de recolher em províncias

O Equador mobilizou 75 mil soldados e policiais em quatro províncias com altos índices de criminalidade, onde um toque de recolher noturno foi implementado. A medida visa combater a violência ligada ao narcotráfico, que tem escalado no país.

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Equador: 75 mil em ação contra o narcotráfico
Equador: 75 mil em ação contra o narcotráfico (imagem ilustrativa/PM)

Autoridades equatorianas anunciaram na segunda-feira (16) a mobilização de 75 mil soldados e policiais em quatro províncias com altos índices de criminalidade. Nessas regiões, o governo está implementando um toque de recolher noturno, proibindo a saída de pessoas de suas casas entre as 23h e as 5h.

Segundo as autoridades, 253 pessoas foram presas por desrespeitar o toque de recolher, que teve início na noite de domingo (15) nas províncias de Guayas, El Oro, Los Rios e Santo Domingo de los Tsachilas. A medida está prevista para durar duas semanas. Embora as ordens abranjam Guayaquil, a cidade mais populosa do Equador, elas não se estendem a Quito ou às turísticas Ilhas Galápagos.

O ministro do Interior, John Reimberg, informou na segunda-feira que as tropas equatorianas utilizaram artilharia autorizada para destruir três alvos identificados, mas não forneceu detalhes específicos sobre a natureza dos ataques. “Que caia o que tiver que cair – e quem tiver que cair, caia”, disse ele a jornalistas, observando que as operações não resultaram em baixas registradas.

O Equador enfrenta dificuldades para conter a violência ligada ao narcotráfico, enquanto cartéis rivais disputam o controle de portos costeiros utilizados para contrabandear cocaína para os Estados Unidos.

No ano passado, o Equador registrou sua maior taxa de homicídios em décadas: 50 assassinatos por 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério do Interior.

Escalada da violência e medidas governamentais

A taxa de homicídios no Equador quintuplicou desde a pandemia de covid-19, à medida que cartéis da Colômbia e do México disputam as rotas de tráfico de drogas do país e se associam a gangues locais. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, prorrogou recentemente um estado de exceção que permite aos militares realizar patrulhas conjuntas com policiais e entrar em residências sem mandado de busca.

O líder conservador atribuiu parte da violência à vizinha Colômbia, acusando seu governo de não fazer o suficiente para deter os cartéis que operam ao longo da fronteira entre as duas nações. Em janeiro, Noboa também impôs tarifas sobre as importações colombianas e afirmou que elas não seriam suspensas até que a situação de segurança na fronteira entre os dois países melhorasse.

No início deste mês, os militares do Equador informaram ter realizado uma operação conjunta com os Estados Unidos contra um campo de treinamento usado por traficantes de drogas colombianos, que incluiu ataques ao local com drones, helicópteros e barcos.

As autoridades disseram que o acampamento estava localizado no lado equatoriano da fronteira e pertencia aos Comandos de la Frontera, um grupo que se separou das FARC, a organização guerrilheira que assinou um acordo de paz com o governo da Colômbia em 2016.

Críticas e controvérsias

O presidente do Equador tem sido alvo de críticas de grupos da sociedade civil que afirmam que seus métodos ‘linha-dura’ não conseguiram reduzir o crime, ao mesmo tempo em que colocam civis em perigo.

Em um caso no ano passado que levantou questões sobre os métodos de combate ao crime de Noboa, onze soldados foram condenados a mais de 30 anos de prisão pelo sequestro de quatro crianças, cujos corpos foram encontrados fora de uma base militar perto de Guayaquil.

Fonte: Los Angeles Times