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Ingredientes essenciais para a vida encontrados em amostras do asteroide Ryugu

A análise das amostras do asteroide Ryugu revelou a presença de uracila, adenina, guanina, citosina e timina, os nucleobases fundamentais para a vida, sugerindo sua abundância no Sistema Solar.

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Descoberta em Ryugu reforça teoria da origem da vida
Descoberta em Ryugu reforça teoria da origem da vida (Wikimedia)

Todos os ingredientes essenciais para formar o DNA e o RNA, que sustentam a vida na Terra, foram descobertos em amostras coletadas do asteroide Ryugu, anunciaram cientistas na segunda-feira (16). Esta descoberta segue a detecção desses blocos construtores da vida em outro asteroide, Bennu, sugerindo que eles são abundantes em todo o Sistema Solar.

Uma teoria de longa data é que a vida começou na Terra quando asteroides carregando elementos fundamentais colidiram com nosso planeta há muito tempo. Os asteroides que viajam pelo nosso Sistema Solar oferecem aos cientistas uma rara oportunidade de estudar essa possibilidade.

Em 2014, a espaçonave japonesa Hayabusa-2 foi lançada em uma missão de 300 milhões de quilômetros para pousar em Ryugu, um asteroide de 900 metros de largura. Ela conseguiu coletar com sucesso duas amostras de rochas, pesando 5,4 gramas cada, e as trouxe de volta à Terra em 2020.

Descobertas em Ryugu e implicações para a vida

Pesquisas em 2023 mostraram que essas amostras continham uracila, que é uma das quatro bases que compõem o RNA. Enquanto o DNA, a famosa dupla hélice, funciona como um projeto genético, o RNA de fita simples é um mensageiro importantíssimo, convertendo as instruções contidas no DNA para implementação.

Na segunda-feira, um novo estudo de uma equipe japonesa de pesquisadores na revista Nature Astronomy demonstrou que as amostras continham todas as nucleobases para DNA e RNA. Isso incluiu uracila, bem como adenina, guanina, citosina e timina.

Isso “não significa que a vida existiu em Ryugu”, disse o autor principal do estudo, Toshiki Koga. “Em vez disso, sua presença indica que asteroides primitivos poderiam produzir e preservar moléculas que são importantes para a química relacionada à origem da vida”, acrescentou o bioquímico da Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre.

A descoberta também “demonstra sua presença generalizada em todo o Sistema Solar e reforça a hipótese de que asteroides carbonáceos contribuíram para o inventário químico pré-biótico da Terra primitiva”, de acordo com o estudo.

Fonte: JT