O Japão iniciará a liberação de petróleo de suas reservas estatais na quinta-feira (26). O anúncio foi feito pela primeira-ministra Sanae Takaichi nesta terça-feira (24), em um momento de crescente preocupação com o fornecimento e a disparada dos preços do petróleo, impulsionados pela guerra em curso entre EUA-Israel e Irã.
A medida foi divulgada durante a primeira reunião de membros do Gabinete para discutir formas de amortecer o impacto das tensões no Oriente Médio na economia japonesa. A decisão segue a liberação de petróleo de estoques do setor privado, que começou na semana passada.
Sanae Takaichi também informou que as reservas conjuntas de petróleo de nações produtoras do Oriente Médio, atualmente armazenadas no Japão, começarão a ser acessadas até o final deste mês.
“A paz e a estabilidade do Oriente Médio são extremamente importantes para o Japão e para a comunidade internacional”, declarou a primeira-ministra, acrescentando que Tóquio continuará a “fazer todos os esforços diplomáticos necessários em estreita coordenação com os países relacionados” e tentará “minimizar o impacto nas atividades econômicas”.
Takaichi mencionou que ela e o presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmaram a importância de garantir suprimentos de energia estáveis, assegurando a navegação segura no Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte global de petróleo. A afirmação ocorreu durante a cúpula em Washington na última quinta-feira.
Impacto da crise no Oriente Médio e medidas econômicas
O Japão depende do Oriente Médio para mais de 90% de suas importações de petróleo bruto, a maior parte das quais transita pelo Estreito de Ormuz. O estreito foi efetivamente fechado pelo Irã após o início do conflito com as forças dos EUA e Israel no final de fevereiro, o que desencadeou um aumento nos preços do petróleo bruto.
Antes de uma liberação conjunta liderada pela Agência Internacional de Energia, Takaichi havia anunciado em 11 de março que o Japão começaria unilateralmente a liberar o equivalente a 15 dias de reservas mantidas pelo setor privado a partir de 16 de março, seguido por um mês de petróleo estatal.
Na reunião ministerial, outras questões a serem discutidas incluem o exame de possíveis ramificações na economia de uma queda na produção doméstica de etileno, amplamente utilizado em produtos plásticos, e a diversificação de fornecedores de petróleo bruto.
O Gabinete também decidiu usar 800,7 bilhões de ienes (aproximadamente 5 bilhões de dólares) em reservas do orçamento do ano fiscal atual, incluindo 794,8 bilhões de ienes para um fundo destinado a subsidiar a alta dos preços da gasolina.
Com o preço da gasolina comum atingindo um recorde histórico de 190,80 ienes por litro na semana passada, o governo japonês visa reduzir o preço médio de varejo nacional para cerca de 170 ienes.
Fonte: MN