Representantes japoneses não foram convidados para um evento de plantio de cerejeiras em uma cidade no leste da China, que visa promover a amizade sino-japonesa.
A informação foi divulgada na quinta-feira (19) por um grupo cívico que participou de cerimônias anteriores, em meio a tensões bilaterais sobre as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi a respeito de Taiwan.
Esta é a primeira vez, desde que a tradição anual começou em 1988, que participantes japoneses não comparecerão pessoalmente ao evento de plantio de árvores, exceto durante a pandemia de covid-19 de acordo com o grupo cívico. A cerimônia deste ano está agendada para a próxima quarta-feira em Wuxi, na província de Jiangsu.
Autoridades do governo municipal de Wuxi afirmaram que o evento será reduzido este ano, sem a participação de diplomatas e jornalistas estrangeiros, mas não forneceram uma razão para a decisão.
O legado das cerejeiras e a paz
Fundado por Kiyomi Hasegawa, um ex-soldado da Guerra Sino-Japonesa, o grupo cívico tem arrecadado fundos para doar cerejeiras e promover intercâmbios bilaterais, com o objetivo de evitar a repetição do trágico passado de guerra.
A Área Cênica de Yuantouzhu, um parque às margens do Lago Taihu, é um dos destinos mais proeminentes da China para a observação das flores de cerejeira, com cerca de 30 mil árvores plantadas pela cidade de Wuxi e pelo grupo cívico japonês.
Tensões diplomáticas afetam intercâmbios
As tensões atuais entre os dois vizinhos asiáticos decorrem das declarações parlamentares de Sanae Takaichi em novembro passado, sugerindo que o Japão poderia mobilizar suas forças de defesa em caso de conflito sobre Taiwan, uma ilha autogovernada reivindicada por Pequim.
A disputa diplomática tem afetado os intercâmbios entre pessoas dos dois países, com a China pedindo que seus cidadãos não visitem o Japão.