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'São Paulo nunca saiu de mim': expectativas, pertencimento e o reencontro

| Comportamento

A experiência de uma brasileira que, após décadas no exterior, redescobre São Paulo e o Brasil, confrontando memórias com a realidade vibrante da cidade.

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Reencontro com São Paulo: 26 anos longe, o retorno ao lar (banco de imagens)

Há um fenômeno silencioso que acontece com quem vive muitos anos no exterior. Não é algo visível. Não está nos documentos, nem no passaporte, nem nas malas. Está dentro.

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É uma mistura de saudade, receio e imaginação. Quando se vive em um país como o Japão — onde tudo funciona com precisão, onde o silêncio é respeitado, onde a segurança é uma certeza cotidiana e a organização é quase uma extensão da cultura — o coração, aos poucos, se acostuma com a previsibilidade. A vida se torna estável, segura e lógica.

Mas, ao mesmo tempo, nasce uma distância invisível. Não apenas geográfica. Emocional.

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Durante anos, ouvimos notícias. Comentários. Relatos. Opiniões. Algumas verdadeiras. Outras exageradas. Muitas carregadas de medo.

E, sem perceber, o Brasil começa a deixar de ser experiência para se tornar narrativa. Um lugar que amamos, mas que passamos a imaginar. Um lugar que conhecemos, mas que começamos a observar à distância, como se não nos pertencesse mais por inteiro.

E é nesse ponto que o medo se infiltra — não como realidade, mas como construção. Um medo silencioso. Um medo aprendido. Mas o coração sabe. O coração nunca esquece de onde veio.

Eu nasci e cresci em São Paulo. Na zona leste. Ali estão minhas raízes mais profundas. Ali estão os primeiros passos, os primeiros sonhos, as primeiras descobertas. Foi em São Paulo que me tornei adulta.

Foi ali que construí minha história. Trabalhei no centro da capital, no Banco Nacional, em meio ao fluxo intenso de pessoas, decisões, responsabilidades e oportunidades. A cidade pulsava ao meu redor, e eu pulsava com ela.

São Paulo nunca foi apenas um lugar. Sempre foi uma força. Uma energia. Uma escola.

Então a vida me levou para longe. Para o Japão. Um país extraordinário. Um país que me ensinou disciplina, respeito, organização e resiliência. Um país que me acolheu e onde construí uma nova fase da minha vida.

Foram 26 anos vivendo no exterior. E, por uma década inteira, eu não voltei ao Brasil. Dez anos. Tempo suficiente para que a saudade deixasse de ser uma sensação e se tornasse parte da identidade.

A saudade não era apenas das ruas. Era das vozes. Dos abraços. Dos olhares que reconhecem você sem precisar perguntar quem você é. Era da minha mãe. Dos meus irmãos. Da minha família. Era do pertencimento. E então, eu voltei. E, naquele instante, tudo fez sentido.

São Paulo não era apenas como eu lembrava. Era maior. Mais viva. Mais intensa. São Paulo não perde para ninguém.

É uma cidade iluminada — não apenas pelas luzes dos prédios, mas pela força das pessoas que a constroem todos os dias. É uma cidade imponente, que não pede permissão para existir. Ela simplesmente existe. Com sua grandiosidade. Com suas contradições. Com sua verdade.

São Paulo é uma cidade de oportunidades. Uma cidade onde tudo é possível. Onde ideias nascem. Onde sonhos encontram espaço. Onde recomeços são permitidos.

São Paulo não é apenas uma cidade. São Paulo é um universo. E o Brasil… O Brasil é vida.

Vida em sua forma mais crua e mais verdadeira. Vida nas conversas altas. Nos abraços longos. Na espontaneidade. Na imperfeição que também é beleza. O Brasil não é um país para quem busca apenas ordem. É um país para quem entende o valor da energia humana. É um país que respira. Que sente. Que vive.

Quando revi minha família, algo dentro de mim se reorganizou. Não era apenas um reencontro físico. Era um reencontro com quem eu sempre fui. O tempo não destruiu esse vínculo. Apenas o fortaleceu.

Ainda há muitas pessoas que quero ver. Muitos abraços que ainda estão esperando. Muitas conversas que ainda não aconteceram. Mas uma certeza já se estabeleceu dentro de mim: Eu nunca deixei de pertencer àquele lugar.

Eu apenas fui aprender em outros territórios. Aprender outras culturas. Outras formas de viver. Outras formas de enxergar o mundo. Mas o pertencimento… O pertencimento nunca foi embora. E talvez seja essa a maior verdade sobre partir: Nós não deixamos os lugares que nos formaram.

Nós os carregamos dentro de nós. São Paulo nunca saiu de mim. E, no fundo, eu sinto que São Paulo também nunca me deixou. Era como se estivesse me esperando. Em silêncio. Com a mesma grandeza de sempre. Com os braços abertos.

Como quem diz: Você sempre foi daqui. E sempre será…

Por Rosangela Lesnock


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