A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, enfrenta críticas após a divulgação de que seu neto por afinidade, Ren Yamamoto, de 19 anos, ingressou em uma universidade chinesa de prestígio.
Segundo reportagens da imprensa japonesa, o jovem iniciou em abril deste ano um curso de graduação com duração de quatro anos na China.
Ren Yamamoto é filho de Ken Yamamoto, enteado da premiê. De acordo com a revista NEWS Post Seven, Takaichi teria sido informada sobre a decisão apenas na véspera da viagem do jovem para a China.
A publicação afirma que a primeira-ministra não aprovou a escolha, mas não interferiu na decisão familiar.
O caso ganhou repercussão porque ocorre em meio ao agravamento das relações diplomáticas entre Japão e China. Desde que assumiu uma posição mais favorável a Taiwan, Takaichi tem sido alvo frequente de críticas por parte de Pequim, que considera a ilha parte de seu território.
Reações e impacto diplomático
Nas redes sociais, alguns internautas acusaram a premiê de incoerência por manter um discurso crítico em relação à China enquanto um membro de sua família escolheu estudar no país.
Outros usuários, porém, defenderam a situação, lembrando que filhos de autoridades chinesas frequentemente estudam ou vivem em países ocidentais.
A deterioração das relações entre os dois países se intensificou após declarações de Takaichi, em novembro do ano passado, sugerindo que uma eventual ação militar chinesa contra Taiwan poderia provocar uma resposta do Japão.
Em reação, Pequim adotou medidas como restrições comerciais, limitações de viagens e novas barreiras à exportação de tecnologias consideradas estratégicas.
Disputa afeta comércio e cadeias globais
A China também retomou restrições à importação de frutos do mar japoneses e reduziu exportações de terras-raras para o Japão.
Dados das alfândegas chinesas indicam que minerais como disprósio, térbio e óxido de ítrio praticamente deixaram de ser enviados ao mercado japonês desde o início da disputa.
As restrições atingiram inclusive grandes conglomerados industriais japoneses.
Segundo relatos da imprensa econômica, os Estados Unidos chegaram a pressionar Pequim para restabelecer parte das exportações de terras-raras, diante dos riscos de impacto nas cadeias globais de fornecimento e na indústria japonesa.
Fonte: The Independent



