As autoridades da Bolívia relatam não haver bloqueios de estradas ativos no país, um dia após o presidente Rodrigo Paz declarar estado de emergência, no sábado (20), horário local, em resposta a semanas de protestos.
O estado de emergência de 90 dias restringe o direito de protesto e permite que Paz mobilize o exército. “Os bolivianos não podem continuar sendo mantidos reféns por bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber atendimento médico, obter suprimentos e sustentar suas famílias”, declarou Paz posteriormente em uma publicação nas redes sociais.
No início da manhã de domingo (21), fuso local, a Assembleia Legislativa do país aprovou o decreto de Paz, que proibia “bloquear ruas, avenidas, estradas e rodovias de forma que afete o transporte e o abastecimento”.
A ordem também permitiu que as Forças Armadas da Bolívia apoiassem a polícia “na restauração da ordem, reabertura de estradas e proteção da população”.
Os sinais de calma no domingo coincidiram com vários outros avanços com os manifestantes, que iniciaram protestos exigindo a renúncia de Paz após ele impor medidas de austeridade, incluindo o corte de subsídios aos combustíveis no início deste ano.
Em Santa Cruz, autoridades e líderes dos protestos assinaram um acordo para suspender um bloqueio crucial na cidade de San Julián.
Uma federação de grupos que representam moradores rurais e indígenas anunciou uma pausa nos protestos em La Paz, embora tenha mantido suas reivindicações.
Sem alimentos, remédios e combustíveis na Bolívia
Desde o início de maio, uma ampla coalizão de sindicatos, grupos indígenas e produtores de coca vem realizando manifestações e bloqueios de estradas. Cinco semanas de bloqueios de estradas deixaram caminhões presos e interromperam o fornecimento de alimentos, combustível e medicamentos para muitas áreas.
A economia perdeu bilhões de dólares, o equivalente a 432 bilhões de ienes, devido a esses protestos, que o primeiro presidente não socialista em duas décadas classificou, no sábado, como uma “tentativa de golpe” por parte dos “narcoterroristas”.
Paz advertiu os manifestantes de que enfrentariam “todo o rigor da lei” em uma tentativa de pôr fim aos distúrbios generalizados e à pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas.
Mortes, feridos e detidos
A Defensoria Pública da Bolívia e organizações de direitos humanos afirmaram que pelo menos 17 pessoas morreram, muitas delas devido à interrupção do atendimento médico causada pelos bloqueios.
Confrontos violentos entre manifestantes e a polícia de choque resultaram em 365 prisões e 37 feridos, segundo as autoridades.
Sinais de progresso
Embora a autoridade rodoviária nacional da Bolívia não tenha relatado bloqueios de protestos ativos no domingo, alertou que muitas estradas ainda precisam de limpeza e reparos significativos.
Apesar dos primeiros sinais de progresso, observadores de direitos humanos alertaram que uma resposta governamental severa que não aborde as questões subjacentes pode agravar a instabilidade a longo prazo.
As forças policiais e militares permanecem mobilizadas no domingo.
Fontes: JNN, Al Jazeera e Última Hora 


