
Chubu Electric admite manipulação de dados para aprovar reativação de usina nuclear. Ações da empresa caem após revelações sobre Hamaoka (Wikimedia)
A operadora de uma usina nuclear japonesa admitiu ter selecionado criteriosamente dados críticos de segurança para conseguir aprovação no processo de triagem do regulador de segurança nuclear e reiniciar dois de seus reatores desativados.
A Chubu Electric informou na segunda-feira (5) que estabeleceu um painel independente de especialistas para investigar uma possível má conduta na compilação de dados, como parte do processo para reiniciar dois reatores na usina nuclear de Hamaoka localizada na cidade de Omaezaki (Shizuoka).
A usina originalmente possuía cinco reatores, mas dois foram permanentemente fechados em 2009. Os três reatores restantes foram retirados de operação logo após o desastre de Fukushima em 2011.
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Consequências e confissão da Chubu Electric
As preocupações sobre a manipulação de dados indicam que é improvável que a usina reinicie suas atividades em breve.
Isso também representa um provável retrocesso nos esforços do Japão para retornar à energia nuclear visando aumentar a segurança energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
A Chubu disse aos reguladores que havia selecionado um modelo de onda sísmica mais próximo da média de 20 padrões possíveis para calcular o “movimento sísmico padrão” da planta de Hamaoka — o tremor máximo que os reatores poderiam suportar.
No entanto, a empresa admitiu que os funcionários responsáveis podem ter escolhido deliberadamente esse modelo para fazer a usina parecer mais segura e acelerar o processo de triagem.
“Pedimos sinceras desculpas pelo incidente”, disse o presidente da Chubu Electric, Kingo Hayashi, em entrevista coletiva. “Essas ações podem abalar os fundamentos do setor de energia nuclear.”
Reação da reguladora e medidas ministeriais
O órgão regulador tomou conhecimento da má conduta em fevereiro passado, após ser contatado por um denunciante. Um executivo sênior da agência chamou o assunto de “inacreditável”, afirmando que isso quebrou a confiança na operadora e faria com que as pessoas questionassem sua idoneidade.
O Ministério da Indústria ordenou que a Chubu Electric envie um relatório detalhado até 6 de abril, explicando a causa da má conduta e descrevendo medidas para evitar que isso ocorra novamente.
A usina de Hamaoka, localizada na província de Shizuoka, tem sido descrita como a instalação de energia nuclear “mais perigosa do mundo” por alguns sismólogos e ativistas antinucleares.
Previsões do governo estimam uma chance de 87% de um terremoto poderoso na área, que está situada sobre duas grandes falhas subterrâneas.
Alertas de sismólogos e histórico de risco
O professor Katsuhiko Ishibashi, sismólogo e ex-membro de um painel do governo japonês sobre segurança de reatores nucleares, afirmou em 2003 que Hamaoka era a usina mais perigosa do Japão devido ao potencial de um terremoto desencadear um desastre nuclear.
Na época, ele avaliou que tal incidente devastaria uma vasta área entre Tóquio e Nagoia (Aichi), destruindo mais de 200 mil edifícios e resultando em um enorme tsunami.
A usina recebeu ordens para desligar os reatores 4 e 5 e cancelar o reinício planejado do reator 3 após o desastre de Fukushima, quando um terremoto de magnitude 9 gerou ondas de tsunami de até 15 metros. Hamaoka foi construída para suportar apenas um terremoto de magnitude 8,5 e um tsunami de 8 metros.
A Chubu solicitou uma revisão para reiniciar os reatores de Hamaoka entre 2014 e 2015, e obteve aprovação para o movimento sísmico padrão em setembro de 2023.
As ações da Chubu Electric caíram 8,2%, sua queda mais acentuada desde abril de 2025, após as recentes revelações.
Fonte: The Independent







