As tensões prolongadas no Oriente Médio estão impactando o cotidiano dos produtores agrícolas no Japão, gerando um aumento nos custos e escassez de materiais de embalagem.
Com o encarecimento de sacos e embalagens plásticas, empresas buscam alternativas para reduzir o uso desses itens. Na Sugaya Farm, em Hokota (Ibaraki), a produção anual atinge cerca de 60 toneladas de tomates em seis estufas.
Apesar do pico da safra de verão, a preocupação com a escalada de preços é crescente. Shunnosuke Sugaya, responsável pela fazenda, relatou que fornecedores notificaram um reajuste de cerca de 30% nos valores de sacos e embalagens plásticas.
“Estamos ouvindo de muitos fornecedores que os preços estão subindo“, afirmou Sugaya. A fazenda utiliza grandes quantidades desses materiais diariamente para o escoamento da produção.
Impacto do petróleo e custos de aquecimento
A alta recente nos preços do petróleo bruto, impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio, reflete diretamente nos produtos derivados de plástico.
Alguns insumos agrícolas já apresentam desabastecimento.
Sugaya mencionou que pedidos de lonas de cobertura, usadas para controle de pragas e ervas daninhas, foram suspensos em alguns casos, enquanto outros produtores enfrentam dificuldades extremas para obtê-los.
O aumento nos preços do combustível também ameaça a produção de tomate a longo prazo, especificamente nos custos de aquecimento das estufas a partir de outubro.
“O que importa é qual será o preço nessa época. Mesmo uma alta de 20% nos custos de combustível pode significar várias centenas de milhares de ienes, ou, no pior cenário, vários milhões de ienes”, explicou.
Caso o cenário se concretize, a fazenda poderá ser forçada a repassar os custos ao consumidor final.
Em outros setores, empresas tentam transformar a crise em oportunidade, incentivando clientes a dispensar embalagens descartáveis.
Na loja “Oimo Biyori Azumino”, em Azumino (Nagano), especializada em batata-doce caramelizada, clientes que levam seus próprios recipientes recebem um desconto de 30 ienes por embalagem.
A gerência informou que a campanha foi motivada tanto pela dificuldade de aquisição de plásticos quanto pela inflação, que reduziu o consumo de doces.
Fonte: FNN, NOJ



