O endurecimento das regras de imigração no Japão — incluindo critérios mais rigorosos para o visto de gestor de negócios e o aumento de taxas — pode prejudicar a imagem internacional do país e estimular a xenofobia, afirmou na segunda-feira (8) uma parlamentar da oposição que critica as mudanças implementadas nos últimos meses.
“Isso está tendo um enorme impacto sobre pequenos negócios e empresários que oferecem alimentos apreciados pelas comunidades locais. Afeta não apenas os estrangeiros que administram esses estabelecimentos, mas também as comunidades onde vivem”, declarou Sakura Uchikoshi, integrante da Câmara Alta pelo Partido Democrático Constitucional do Japão.
Em outubro do ano passado, o Japão reformulou os requisitos para obtenção do visto de gestor de negócios.
Novas exigências para obtenção do visto
Pelas novas regras, os candidatos precisam comprovar capital de 30 milhões de ienes, seis vezes mais que os 5 milhões de ienes exigidos anteriormente. Além disso, as empresas devem empregar pelo menos um funcionário em tempo integral.
Participando da mesma coletiva, o advogado Kazuki Yuda reconheceu que as mudanças foram criadas para combater abusos do sistema por pessoas que buscavam apenas obter um visto sem operar um negócio legítimo. No entanto, segundo ele, muitas empresas genuínas acabaram sendo afetadas pelas novas exigências.
“As solicitações de pessoas sem atividade empresarial real e com motivação principalmente migratória diminuíram drasticamente. Nesse sentido, a reforma está atingindo seu objetivo”, afirmou. “Por outro lado, os mais impactados são pequenos proprietários de restaurantes e jovens empreendedores”, acrescentou, observando que os novos critérios muitas vezes não correspondem à realidade desses negócios.
Impactos e críticas às mudanças
Embora as discussões sobre a revisão tenham começado durante o governo do ex-primeiro-ministro Shigeru Ishiba, Yuda afirmou que a eleição para a Câmara Alta realizada em julho do ano passado acelerou o processo.
Segundo ele, a Agência de Serviços de Imigração promoveu as mudanças em um ritmo incomum, revisando a ordem governamental que regula o visto menos de dois meses após a elaboração da proposta inicial pelo Ministério da Justiça.
Dados do governo mostram que menos de 9% das empresas japonesas possuem capital de 30 milhões de ienes ou mais. No fim de 2025, havia 46.781 portadores do visto de gestor de negócios no país.
Debate sobre imigração e xenofobia
As autoridades sustentam que as alterações têm como objetivo combater empresas de fachada utilizadas para obtenção de residência. O ministro da Justiça, Hiroshi Hiraguchi, afirmou à Dieta que os pedidos não serão rejeitados automaticamente caso não atendam aos novos critérios. Segundo ele, cada caso será analisado individualmente, levando em conta fatores como operação da empresa, pagamento de impostos e outros aspectos.
As mudanças fazem parte de uma série de reformas que afetam a comunidade estrangeira no Japão. O governo também aumentou significativamente as taxas de vistos e introduziu exigências adicionais relacionadas à proficiência em idiomas.
“Esse endurecimento das regras não está ocorrendo apenas no visto de gestor de negócios, mas também está sendo aplicado de forma ampla a outros tipos de vistos”, afirmou Yuda.
Preocupação com a imagem do Japão
Para muitos residentes estrangeiros que passaram anos construindo suas vidas no Japão, a mudança no clima político tem gerado insegurança. O país enfrenta uma escassez crônica de mão de obra devido ao envelhecimento e à redução da população, mas historicamente tem demonstrado cautela na abertura à imigração.
Uchikoshi alertou que as recentes medidas “podem levar a uma piora da imagem do Japão”. Para ela, a postura mais rígida em relação aos estrangeiros contrasta com a visão defendida pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, que buscava transformar o país em um lugar “que as pessoas escolhessem para viver”.
“Sinto que estamos promovendo uma grande mudança de direção. Estamos caminhando para o exclusivismo e para a xenofobia”, concluiu.
Fonte: JT



