Obter a carteira de motorista japonesa através da conversão do documento estrangeiro — o processo conhecido como gaimen kirikae — tornou-se um desafio muito maior.
Dados recentes da Agência Nacional de Polícia (NPA) revelam uma queda drástica no número de aprovados após a implementação de critérios mais rigorosos em outubro do ano passado.
O “fim da facilidade” na conversão: o que mudou?
Até pouco tempo, o processo era criticado por ser excessivamente simples, levantando dúvidas se os motoristas estrangeiros realmente compreendiam as complexas normas de trânsito do Japão. Em resposta, o sistema foi blindado:
- Prova teórica: o número de questões saltou de 10 para 50. Além disso, a exigência de acerto agora é de 90% (mínimo de 45 pontos).
- Prova prática: o exame de direção tornou-se mais minucioso, com foco rigoroso em segurança em faixas de pedestres e paradas obrigatórias em cruzamentos ferroviários.
Os números do impacto
Abaixo, a comparação das taxas de aprovação antes e depois da reforma do sistema (dados coletados entre outubro e dezembro):
| Tipo de Exame | Taxa de Aprovação Anterior | Taxa de Aprovação Atual |
| Conhecimento (Teórico) | 93% | 43% |
| Habilidade (Prático) | 30% | 13% |
Crise no setor de transportes
A dificuldade em obter a licença atinge em cheio o setor de logística, que sofre com a escassez de mão de obra. O governo japonês incluiu o setor de transportes na categoria de “Habilidades Específicas” para atrair estrangeiros, mas a barreira do gaimen kirikae tem impedido que novos motoristas comecem a trabalhar.
Como alternativa, empresas de logística estão abandonando o sistema de conversão direta e investindo nos “Gasshuku” (campos de treinamento intensivo). Embora custem entre 300 e 500 mil ienes a mais, esses cursos garantem que o motorista aprenda as regras do zero, garantindo a aprovação e, acima de tudo, a segurança nas estradas.
Dica para candidatos à conversão
Com a taxa de aprovação prática em apenas 13% no exame prático da conversão, especialistas recomendam que candidatos não tentem a prova sem preparação prévia. O uso de simuladores com IA e aulas em circuitos fechados tem sido a única forma eficaz de superar o novo nível de exigência das autoridades japonesas.
- Parada no cruzamento ferroviário: não basta parar; é preciso abrir levemente a janela para ouvir se o trem vem, além de olhar para os dois lados de forma exagerada (o chamado Goji-tenken).
- O “S” e o “Crank”: são aquelas curvas estreitas e em ângulo reto. Se o pneu tocar o meio-fio e você não parar imediatamente para manobrar de volta, é reprovação automática.
- Segurança na faixa de pedestres: no Japão, a prioridade ao pedestre é absoluta. Se houver alguém sequer demonstrando intenção de atravessar e você não reduzir ou parar, o teste acaba ali.
- Verificação de ponto cego (Mokushi): Os avaliadores querem ver você virando a cabeça para olhar por cima do ombro antes de mudar de faixa. Apenas olhar pelo retrovisor é considerado erro.
- Posicionamento na pista: Ao virar à esquerda, o carro deve estar bem colado ao lado esquerdo para evitar que ciclistas ou motos tentem passar pelo “vão”.
A verdade é que o sistema de conversão agora exige que o motorista estrangeiro dirija “como um japonês recém-formado”: com movimentos precisos e sinalização exagerada para mostrar que está atento.
Fontes: NHK e FNN 


