Enquanto o tráfego no Estreito de Ormuz continua praticamente parado na terça-feira (21), horário do Japão, o acordo de cessar-fogo expira no dia seguinte, ainda marcado por incertezas sobre os rumos das negociações a serem realizadas em Islamabad.
O presidente Donald Trump disse que era “altamente improvável” que renovasse o cessar-fogo de duas semanas com o Irã e afirmou que o Estreito de Ormuz permaneceria bloqueado até que Washington e Teerã chegassem a um acordo, segundo uma entrevista da Bloomberg.
A delegação dos EUA está a caminho da capital do Paquistão, país mediador, devendo chegar na noite de segunda-feira (20), horário de Washington, para a segunda rodada de negociações de paz.
Teerã diz que não enviará delegação para negociações
No entanto, nesse mesmo dia, a Tasnim, segundo a agência de notícias iraniana, “A decisão do Irã de não participar de mais uma rodada de negociações mediadas pelo Paquistão com os Estados Unidos permanece inalterada até o momento”. Explica que a participação do Irã está condicionada ao cumprimento de certas condições prévias.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou os opositores linha-dura de um possível acordo com os EUA, chamando-os de atores “extremistas” que minam as negociações, e expressou preocupação com a pressão política sobre ele e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, segundo apurou a Iran International.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã não tem planos para novas negociações com os Estados Unidos e acusou Washington de minar a diplomacia por meio de violações do cessar-fogo.
Bloqueio do Estreito de Ormuz depende do ‘acordo’
“Talvez o mais importante de tudo, O BLOQUEIO, que não será suspenso até que haja um ‘ACORDO’, está destruindo o Irã. Eles estão perdendo 500 milhões de dólares por dia, um valor insustentável, mesmo a curto prazo. A mídia de notícias falsas anti-americana torce para que o Irã vença, mas isso não vai acontecer, porque eu estou no comando!”, escreveu Trump na sua rede social às 14h11 de segunda-feira (20), horário de Washington.
Revoltado com os grandes veículos de imprensa, dizendo que espalham fake news, o presidente americano fechou o post com a frase: “Assim como essas pessoas antipatrióticas usaram cada grama de sua força limitada para me combater nas eleições, elas continuam fazendo o mesmo com o Irã”.
Em seguida, a Casa Branca publicou: “A única coisa que importa é que finalmente, depois de 47 anos, resolvemos a BAGUNÇA que outros presidentes deixaram acontecer porque não tiveram a coragem ou a visão para fazer o que precisava ser feito em relação ao Irã”.
Navio iraniano apreendido: Irã vê como violação ao cessar-fogo
O Ministro das Relações Exteriores do Irã disse ao homólogo paquistanês que ‘violações’ do cessar-fogo por parte dos EUA dificultam negociações.
Um navio comercial com bandeira iraniana trafegando no Golfo de Omã, próximo à costa do Irã, foi apreendido pelos fuzileiros navais dos EUA no domingo (19), depois de ter ignorado repetidas advertências das forças americanas durante um período de seis horas, informou o Comando Central americano (CENTCOM).
Em um comunicado divulgado na segunda-feira, o Quartel-General Central Khatam al-Anbia anunciou que, “após a flagrante agressão de comandos terroristas dos EUA contra um navio comercial iraniano nas águas do Mar de Omã, as Forças Armadas do Irã estavam preparadas para dar uma resposta decisiva”. No entanto, afirmou, devido à presença de vários familiares da tripulação a bordo, a ação operacional do Irã foi adiada para proteger suas vidas e segurança, que estavam em constante perigo.
No entanto, vale lembrar que embarcações da Europa foram atacadas pelo Irã, no Estreito de Ormuz.
Estreito de Ormuz: como reabri-lo
Sachi Sakanashi, diretora do Centro de Pesquisa do Oriente Médio do Instituto Japonês de Economia de Energia, que conhece bem a situação no Irã, comentou sobre a suposta apreensão, pelos militares dos EUA, de um navio cargueiro iraniano que tentava romper o bloqueio, afirmando: “Acho que os EUA estão pressionando o Irã a participar das negociações. O Irã diz que tomará contramedidas, mas, dependendo do conteúdo, isso pode levar a uma escalada que nenhum dos lados deseja”.
Por outro lado, em relação ao Estreito de Ormuz, ela analisou: “Embora a realidade seja que os EUA e seus aliados estejam em apuros devido ao bloqueio iraniano, surgiu uma situação em que o Irã agora está em apuros devido ao contrabloqueio dos EUA. Acho que algum tipo de acordo precisa ser alcançado sobre como abrir o Estreito de Ormuz”, analisou Sakanashi.
Fontes: NHK, Iran Intl, Tasnim, Truth Social, Casa Branca e CENTCOM 


