As Filipinas e os Estados Unidos deram início, na segunda-feira (20), a um exercício militar anual de grande escala, o “Balikatan” (que significa “ombro a ombro” em tagalo).
Pela primeira vez, as Forças de Autodefesa do Japão (SDF) participam plenamente da manobra, que visa aprimorar a interoperabilidade de defesa entre as nações participantes.
Um total de 17 mil militares de sete países – incluindo Austrália, Canadá, França e Nova Zelândia – estão envolvidos no exercício. O Balikatan se estenderá até 8 de maio, com uma série de simulações de guerra concentradas principalmente no norte e oeste das Filipinas.
Participação japonesa e alinhamento estratégico
O Japão enviou seu maior contingente já registrado para o evento anual, com 1.400 militares, além de três navios e duas aeronaves.
As SDF planejam realizar um teste de disparo de um míssil guiado Tipo-88 durante um exercício programado em águas filipinas, de frente para o Mar do Sul da China.
Durante a cerimônia de abertura, o chefe militar filipino, Gen. Romeo Brawner, afirmou que o Balikatan envia uma “mensagem clara e inequívoca de que a segurança é compartilhada e que a parceria continua sendo nossa maior vantagem”.
O Ten. Gen. Christian Wortman, comandante geral da Força Expedicionária da Marinha dos EUA, expressou o “entusiasmo” dos Estados Unidos com a participação do Japão, antecipando um “fortalecimento ainda maior dessas importantes relações”.
Defesa do status quo e tensões regionais
O Cel. Takeshi Higuchi, do Estado-Maior Conjunto das SDF, destacou em uma coletiva de imprensa que o Balikatan “contribuirá para melhorar as capacidades operacionais integradas das Forças de Autodefesa e criar um ambiente de segurança que não tolera mudanças unilaterais do status quo pela força”.
Este exercício ocorre em um contexto de crescente atividade da China, que tem intensificado suas ações para afirmar suas abrangentes reivindicações territoriais no Mar do Sul da China. Essas reivindicações se sobrepõem às das Filipinas e de outros países da região, gerando tensões.
Reação de Pequim e antecedentes diplomáticos
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, criticou a participação do Japão no exercício conjunto entre Filipinas e EUA.
Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, Guo Jiakun declarou que o país vizinho “deve ser cuidadoso” com sua conduta no campo da segurança.
As críticas surgem após um contratorpedeiro das Forças de Autodefesa (SDF) ter navegado pelo Estreito de Taiwan na semana passada, levando a China a acusar o Japão de enviar “sinais errados à independência de Taiwan”.
Evolução do status das Forças de Autodefesa
Desde 2012, as SDF mantêm o status de observador e participam da vertente de resposta a desastres do exercício anual.
Os campos do exercício nos quais podem participar foram expandidos após a entrada em vigor, no ano passado, de um pacto de defesa com as Filipinas que permite visitas recíprocas das forças das duas nações.
Fonte: MN



