O tiroteio nas icônicas pirâmides de Teotihuacán, no México, deixou uma turista canadense morta e 13 feridos — incluindo um menino de 6 anos e uma adolescente brasileira de 13.
Foi um ataque premeditado por um mexicano de 27 anos que agiu sozinho e era adepto de atos violentos nos Estados Unidos, informaram as autoridades na terça-feira (21), horário local.
Entre seus pertences estava uma fotografia manipulada por inteligência artificial que o mostrava ao lado dos autores do massacre na Columbine High School em 1999, confirmou um funcionário do governo à Associated Press, falando sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente.
Além disso, o ataque incomum às ruínas arqueológicas de Teotihuacán, frequentadas por turistas, ocorreu no 27º aniversário do massacre naquela escola do Colorado, no qual 12 estudantes e um professor foram mortos.
Vítimas estrangeiras nas pirâmides
O ataque foi realizado na segunda-feira (20), horário local, na Pirâmide da Lua, na zona arqueológica de Teotihuacán, um dos locais turísticos e patrimoniais mais importantes do México.
De acordo com o balanço divulgado pelas autoridades mexicanas e recolhido pelos meios de comunicação locais, entre os 13 feridos encontram-se seis norte-americanos, três colombianos, dois brasileiros, um russo e uma canadense.
Mexicano se matou
O agressor, identificado como Julio César Jasso Ramírez, natural do estado de Guerrero, no sul do México, chegou a Teotihuacán no dia anterior em um Uber, hospedou-se em um hotel e, na segunda-feira, por volta do meio-dia, enquanto estava no topo da Pirâmide da Lua, começou a atirar contra turistas com um revólver antigo, segurando na outra mão uma sacola plástica contendo 52 cartuchos de calibre .38, explicou o Procurador-Geral do Estado do México, José Luis Cervantes.
Jasso Ramírez teria planejado o ataque meticulosamente. “Ele adquiriu armas, facas, mochilas, luvas, óculos — todo o equipamento que considerou útil para atingir seu objetivo”, afirmou o Procurador-Geral.
22 minutos de pânico em Teotihuacán
O agressor disparou contra os turistas do topo da pirâmide, observando as forças de segurança se aproximarem, às quais também atacou.
Algumas pessoas se jogaram no chão e permaneceram imóveis, tentando evitar atrair a atenção do agressor; outras desceram correndo a pirâmide enquanto os tiros ecoavam. Foram 22 minutos de pânico.
A Guarda Nacional subiu na pirâmide e feriu o agressor na perna. Sentindo-se encurralado, ele cometeu suicídio, disse Cervantes, citando depoimentos de testemunhas.
Na mochila de Jasso Ramírez havia uma faca, livros e “manuscritos supostamente relacionados a eventos violentos que podem ter ocorrido nos Estados Unidos em abril de 1999″, explicou Cervantes, sem mencionar explicitamente a Columbine High School.
Ataque sem precedentes
O ataque em Teotihuacán, ocorrido menos de dois meses antes do início da Copa do Mundo, chocou o México porque, embora o país esteja acostumado à violência ligada ao crime organizado, esse tipo de cenário envolvendo agressores solitários não é comum. E muito menos em áreas turísticas.
“O turismo no México nunca teve problemas”, disse a presidenta Claudia Sheinbaum. “O incidente de ontem nos levou a reforçar a segurança”, disse.
Teotihuacán, localizada a cerca de 40 quilômetros da Cidade do México, foi uma das maiores metrópoles do mundo mesoamericano e conserva algumas das estruturas pré-hispânicas mais emblemáticas do país, entre elas as pirâmides do Sol e da Lua.
O recinto recebeu cerca de 1,8 milhão de visitantes internacionais no ano passado.
Assista aos vídeos em um post no X, incluindo o do atirador.
Fontes: Euronews, Yomiuri e ABC7 


