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Economia

Crise da nafta no Japão: por que as oficinas podem parar em maio?

Mais de 46 mil empresas no Japão, além de 99% das oficinas para carros, estão enfrentando uma crise sem precedentes pela escassez de nafta. Em maio, as oficinas não poderão mais atender.

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Redação

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Konishi Sangyo - Empregos no Japão
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Crise de nafta afeta 99% das oficinas e 46 mil empresas
Foto ilustrativa (PM)

O que começa com uma tensão diplomática no Oriente Médio está prestes a terminar em latas vazias e carros parados nas oficinas do Japão: é a crise da nafta no Japão.

Empregos estáveis no Japão - UT SURI-EMU
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Uma pesquisa emergencial do Teikoku Databank e de grupos de voluntários revelou um cenário alarmante: 46 mil empresas em risco e 99,3% das oficinas de funilaria e pintura em todas as 47 províncias do país já sofrem restrições severas no fornecimento de tintas e solventes.

O que é a nafta e por que ela “manda” na indústria?

A nafta é o derivado incolor do petróleo que serve como a alma da indústria química. Sem ela, a cadeia de suprimentos quebra. Ela é a base para a fabricação de diversos produtos.

  • Produtos químicos: etileno e propileno. Afeta fabricantes de cola, gelatina, surfactantes, frascos, etc.
  • Borracha: pneus, luvas e diversos outros artigos.
  • Materiais intermediários: resinas sintéticas e adesivos.
  • Celulose e produtos de papel: embalagens de sanduíches, filtro de papel, laminados, embalagens (sacos) de papel, editoras de livros e outros.

O raio-X da crise: 46 mil empresas em risco

A análise da cadeia de suprimentos identificou que mais de 46.700 empresas manufatureiras no Japão dependem diretamente da nafta.

O dado mais preocupante? 90% dessas empresas são pequenas e médias (PMEs), justamente as que têm menos força para repassar o aumento de custos ou estocar material.

Setores mais atingidos pela escassez da nafta

Nafta
Nafta (PM)
  1. Químico e tintas: 84% de dependência (essencial para solventes automotivos).
  2. Borracha industrial: 53,9% (peças de vedação e mangueiras para carros e navios).
  3. Papel e embalagens: 80,1% (incluindo o papel laminado de embalagens de fast-food e sacos de cimento).

O “apagão” nas oficinas: vozes do campo

Enquanto o governo declara que “os estoques são suficientes”, quem está no chão de fábrica vive uma realidade desesperadora. O bloqueio não é apenas de preço, é de escassez física.

“Sem materiais, não podemos trabalhar. Entendo o aumento de preços, mas não ter o que vender ou usar é uma questão de vida ou morte para a empresa.” — Relato de uma fábrica em Toyama.

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Muitos profissionais apontam que o problema pode não estar apenas na falta de matéria-prima nos fabricantes, mas no acúmulo de estoques (especulação) por parte de grandes empresas comerciais no topo da cadeia, que estão “segurando” o produto.

O impacto no seu bolso e na sua segurança

Se você é consumidor, prepare-se para algumas consequências por causa da crise da nafta.

  • Atrasos em reparos de carros: o que levaria uma semana pode levar meses por falta de uma tinta específica ou solvente.
  • Aumento de preços: o custo dos materiais de pintura e insumos como fitas adesivas e lixas disparou. Se está construindo, o segmento de banheiros está afetado. Em relação à indústria alimentícia, há escassez de embalagens e recipientes, o que impacta alimentos e bebidas.
  • Segurança em risco: com a falta de peças de borracha e selantes, a manutenção preventiva de infraestruturas logísticas pode ser afetada.
  • Fabricação de peças automotivas altamente impactada

Dica extra

Para os brasileiros que trabalham em fábricas de autopeças ou oficinas: monitorem o estoque de consumíveis agora. Se o fornecedor avisar que “não tem previsão”, saiba que isso é um reflexo direto da instabilidade no Estreito de Ormuz.

O setor de reparação está pedindo ao governo japonês uma investigação rigorosa para saber onde esse material está ficando “preso”. Até lá, o conselho é cautela máxima com prazos de entrega de serviços de funilaria.

Fonte: releases

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