Muito antes dos telescópios ou calendários modernos, os habitantes de Áspero, no Peru, acompanhavam os ciclos do Sol e da Lua para organizar a pesca, os recursos e a vida social. A descoberta reforça uma ideia poderosa: as Américas já produziam ciência há milênios.
Muito antes dos satélites, aplicativos de previsão do tempo ou tábuas de marés, algumas sociedades já buscavam respostas no céu.
É o que sugere uma nova descoberta no Peru, onde arqueólogos identificaram uma estrutura no antigo assentamento de Áspero que teria servido para observar fenômenos celestes e antecipar mudanças ambientais há cerca de 5 mil anos.
A descoberta foi feita pela equipe liderada pela arqueóloga Ruth Shady Solís, especialista mundialmente reconhecida no estudo da civilização Caral, uma das mais antigas das Américas.
Descoberta incrível no Peru
Áspero está localizada em Supe Puerto, província de Barranca, a cerca de 700 metros do Oceano Pacífico.
Durante séculos, foi interpretado principalmente como um enclave estratégico de pesca dentro da rede social e econômica de Caral. No entanto, novas escavações apontam para algo mais ambicioso.
Pesquisadores afirmam que o sítio também funcionava como um centro especializado em observação astronômica. De lá, as posições do Sol, da Lua e possivelmente de certas estrelas eram monitoradas para relacioná-las às marés, às estações do ano e à disponibilidade de recursos marinhos.
Para uma comunidade costeira, essa informação era essencial para a sobrevivência.
A construção oval, com um design incomum, teria sido usada por especialistas para registrar fenômenos astronômicos e sua relação com o meio ambiente natural.
Segundo Shady, esse conhecimento era fundamental para a tomada de decisões em atividades produtivas como a pesca, a coleta de mariscos e o comércio com as comunidades agrícolas do Vale do Supe, onde a cultura Caral floresceu entre 3000 e 1800 a.C.
Onde fica o sítio arqueológico
Áspero está localizada na costa central do Peru, no distrito de Supe Puerto, na província de Barranca. Fica a cerca de 180 quilômetros ao norte de Lima.
O assentamento de Áspero, localizado a 700 metros do Oceano Pacífico e abrangendo 18,8 hectares, foi um porto importante dentro da rede social da Civilização Caral (3000–1800 a.C.).
Vinte e cinco complexos arquitetônicos foram identificados no sítio, refletindo uma organização social complexa baseada em recursos marinhos e no comércio com populações do litoral, das terras altas e da floresta tropical.
David Palomino, diretor do sítio arqueológico de Áspero, destacou que a estrutura apresenta um elemento distintivo em seu topo: uma huanca, uma pedra vertical usada nos Andes para medir o tempo por meio das sombras solares, além de servir a propósitos rituais e de orientação espacial.
A estrutura está localizada em uma área elevada do assentamento peruano, perto de edifícios piramidais e templos, onde nos últimos anos foram encontrados túmulos de indivíduos da elite, demonstrando ligações com populações andinas e amazônicas.
Fontes: RTS, Gizmodo e Andina 


