O presidente dos EUA, Donald Trump, revelou no dia 4, por meio de redes sociais, que o Irã atacou um navio de carga sul-coreano e outras embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz.
Como medida de retaliação, Trump afirmou que as forças americanas afundaram sete barcos iranianos. O episódio de ataques mútuos coloca em risco o cessar-fogo estabelecido entre os dois países.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, um navio de carga com bandeira do Panamá, operado por uma grande empresa sul-coreana, sofreu uma explosão e um incêndio no dia 4 enquanto estava ancorado no Estreito de Ormuz, levantando suspeitas de um ataque.
Trump sugeriu que ‘talvez tenha chegado a hora de a Coreia do Sul participar da missão de escolta‘.
O Comando Central dos EUA iniciou no dia 4 a operação ‘Projeto Liberdade’, destinada a apoiar a passagem de navios de países neutros pelo Estreito de Ormuz.
A operação envolveu a passagem de um contratorpedeiro de mísseis da Marinha dos EUA pelo estreito, entrando no Golfo Pérsico para escoltar dois navios mercantes americanos.
O comandante Cooper informou que 87 navios de diversas nações estão retidos na região, reforçando que a presença militar americana garante uma vantagem estratégica.
Conflitos e ataques nos Emirados Árabes Unidos
Em contrapartida, a Guarda Revolucionária do Irã negou que navios mercantes americanos tenham atravessado o estreito, classificando a informação como ‘falsa’.
A mídia iraniana reportou que forças iranianas dispararam mísseis como advertência contra navios americanos, embora os EUA neguem ter sofrido ataques diretos.
Após o acordo de cessar-fogo em 8 de abril, a situação havia se estabilizado, mas as novas ações militares americanas provocaram uma reação iraniana.
No dia 4, alvos nos Emirados Árabes Unidos (UAE) foram atingidos. Autoridades locais confirmaram a chegada de mísseis de cruzeiro e um ataque com drones que causou incêndios na zona industrial de petróleo de Fujairah.
Um navio-tanque da ADNOC (Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi) também foi alvo de dois drones durante a travessia.
A agência de notícias Tasnim informou que a Guarda Revolucionária estabeleceu uma nova zona de controle no Estreito de Ormuz, vista como uma contramedida ao ‘Projeto Liberdade’.
O presidente do Comitê de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Azizi, declarou que o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico não podem ser controlados por ‘postagens delirantes de Trump’.
Além disso, a UKMTO (Organização de Comércio Marítimo do Reino Unido) reportou incidentes suspeitos desde o dia 3, incluindo ordens via rádio para que navios ancorados perto de Ras Al Khaimah se retirassem.
Apesar da retórica agressiva, onde Trump afirmou à Fox News que ‘se atacarem navios americanos, o Irã será varrido da face da Terra‘, há sinais de que o governo americano deseja evitar um novo conflito aberto.
Em entrevista à ABC News, Trump minimizou as ações iranianas, descrevendo-as como ‘não sendo um bombardeio intenso’, e evitou confirmar se o cessar-fogo foi oficialmente rompido, declarando que ‘o melhor para o Irã é mantermos o cessar-fogo’.
Fonte: Nikkei



