Uma equipe de pesquisa, incluindo membros do Observatório Astronômico Nacional do Japão, descobriu a existência de uma atmosfera em um ‘objeto transnetuniano’ localizado a 5,7 bilhões de km do Sol.
Esta é a primeira vez que uma atmosfera é confirmada em um objeto deste tipo fora de Plutão, tornando-o o corpo celeste mais distante do sistema solar onde tal fenômeno foi identificado.
A descoberta, publicada no dia 4 na revista científica britânica ‘Nature Astronomy’, desafia o senso comum de que a região externa do sistema solar seria um ‘mundo silencioso’ e estático.
Dinâmica do sistema solar externo
Os pesquisadores, liderados pelo professor Ko Arimatsu, observaram em janeiro de 2024 um fenômeno conhecido como ocultação, quando o objeto ‘2002XV93’ passou em frente a uma estrela.
De forma inesperada, a equipe capturou o momento em que o brilho da estrela diminuiu e se recuperou gradualmente no início e no fim da ocultação.
Análises detalhadas revelaram que o ‘2002XV93’ possui uma atmosfera extremamente fina, que causou a refração da luz estelar. Embora a composição exata não tenha sido identificada, estima-se que a pressão atmosférica seja de aproximadamente 1/10.000.000 da pressão terrestre.
Como os objetos nesta região enfrentam temperaturas abaixo de -220 graus Celsius, apenas substâncias voláteis, como metano ou nitrogênio, poderiam existir em estado gasoso.
Além disso, por ser um corpo pequeno, com cerca de 500 km de diâmetro, acreditava-se que a gravidade seria insuficiente para manter uma atmosfera.
A hipótese atual é que a atmosfera seja mantida por:
- Atividades internas do próprio corpo celeste.
- Gases liberados temporariamente após colisões com pequenos objetos.
O professor afirmou: “Acredito que este seja um resultado marcante que demonstra a possibilidade de que a parte externa do sistema solar seja um mundo dinâmico“.
A equipe planeja continuar as observações de ocultação para verificar mudanças no estado atmosférico e pretende utilizar o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para desvendar a composição química dessa atmosfera.
Fonte: Nikkei



