Uma pesquisa realizada pelo Nihon Keizai Shimbun com mais de 100 fabricantes de alimentos e produtos de higiene no Japão revelou que mais de 50% das empresas já implementaram ou planejam reajustes de preços. O levantamento, que obteve respostas de 73 companhias até o início de junho, aponta que a instabilidade no Oriente Médio tem impactado diretamente os custos operacionais.
A alta nos preços da nafta, decorrente da crise geopolítica desde o final de fevereiro, encareceu materiais e embalagens. Segundo as empresas, os esforços internos de redução de custos já não são suficientes para absorver o impacto, tornando o repasse ao consumidor final inevitável.
Estratégias de mercado e reajustes
Entre as empresas consultadas, 20% já realizaram ou têm reajustes programados, enquanto 23% ainda estão em fase de análise. O presidente da Ajinomoto, afirmou que, quando o aumento dos custos de matéria-prima não pode ser absorvido, a empresa busca explicar a situação aos consumidores para realizar o repasse de forma adequada.
Muitas empresas planejam aplicar os aumentos entre julho e setembro. Os reajustes variam, sendo que a maioria das empresas prevê aumentos entre 10% e 20%, com casos chegando a 30%. Exemplos notáveis incluem:
- Oji Nepia: Aumentará em mais de 20% o preço de produtos de papel, como lenços, a partir de julho.
- Unicharm: Reajustará em cerca de 5% produtos como fraldas e itens de higiene feminina a partir de julho.
- Nisshin Seifun Welna: Aumentará 212 itens, incluindo farinha e massas, a partir de agosto.
Para evitar repassar todo o custo ao consumidor, cerca de 30% das empresas optaram por revisar as especificações das embalagens. A Meiji (明治ホールディングス) está utilizando tintas alternativas, enquanto a Calbee alterou o design de embalagens de salgadinhos para preto e branco devido à escassez de tintas derivadas de nafta.
Outras medidas adotadas pelas empresas incluem:
- Mudança de fornecedores de matéria-prima (18 empresas).
- Corte em despesas de publicidade e promoção (10 empresas).
- Descontinuação de produtos (8 empresas).
- Adiamento ou cancelamento de novos lançamentos (7 empresas).
Com a onda de aumentos se espalhando, a tendência de economia por parte das famílias japonesas deve se intensificar, forçando as empresas a um difícil equilíbrio entre a sustentabilidade do negócio e a manutenção da demanda.
Fonte: Nikkei



