Uma nova descoberta paleontológica está reescrevendo a história do Elefante-de-Naumann, um gigante pré-histórico que habitou o arquipélago japonês durante o período Pleistoceno (2,58 milhões a 11,7 mil anos atrás).
Uma equipe de cientistas, liderada pela Universidade de Tokai, revelou que esses animais podem ter desaparecido da Terra 10 mil anos antes do que a ciência estimava. A descoberta muda drasticamente o que sabíamos sobre a relação desses gigantes com os primeiros seres humanos.
O erro do passado: como a tecnologia corrigiu a história
Até recentemente, estimava-se que a extinção do Elefante-de-Naumann havia ocorrido há cerca de 24 mil anos. No entanto, os métodos tradicionais de datação por carbono frequentemente sofrem com a interferência de impurezas do solo, o que pode “rejuvenescer” os fósseis erroneamente.
Para solucionar isso, a equipe de pesquisa adotou uma abordagem inovadora:
- Nova metodologia: utilizou-se uma técnica avançada de purificação para remover qualquer contaminação externa de seis fósseis encontrados na província de Aomori e em outras regiões do Japão.
- Resultado: a nova análise revelou que os ossos eram muito mais antigos do que se pensava.
- Nova linha do tempo: a extinção dos elefantes de Naumann no Japão foi recalculada para entre 33 e 35 mil anos atrás.
Mudança climática x caça humana
Essa antecipação de 10 mil anos na data da extinção traz uma grande revelação arqueológica: o tempo de coexistência entre esses elefantes e os humanos no Japão foi muito mais curto do que se imaginava.
Embora existam evidências de que os humanos do Paleolítico caçavam esses animais, o curto período de convivência sugere que a ação humana não foi a grande vilã. Em vez disso, as severas mudanças climáticas da última Era do Gelo passam a ser apontadas como a causa principal para o fim da espécie.
“Gostaríamos de analisar outros fósseis usando esse método de medição para investigar a fundo a relação entre humanos e grandes animais no período Paleolítico”, destacou o professor associado Soichiro Kusaka, da Universidade de Tokai.
Elefante-de-Naumann: informações extras
Para entender a importância dessa pesquisa, aqui estão alguns fatos fascinantes sobre o animal.
Seu nome científico é Palaeoloxodon naumanni. O nome é uma homenagem a Heinrich Edmund Naumann, o geólogo alemão que descobriu os primeiros fósseis do animal no Japão em 1882.
Eles eram ligeiramente menores do que os elefantes asiáticos modernos, medindo entre 2,5 e 3 metros de altura. Suas principais características eram as presas longas e curvadas em formato de “S” e uma protuberância pronunciada no topo da cabeça.
Ao contrário dos mamutes-lanosos que dominavam as estepes mais ao norte (como na Sibéria e Hokkaido), o Elefante-de-Naumann preferia as florestas temperadas mistas do arquipélago principal do Japão. Ele tinha uma pelagem densa para suportar o clima frio da época.
Eles viajavam entre o continente asiático e o Japão atravessando “pontes de terra” que se formavam quando o nível do mar recuava drasticamente durante os períodos mais frios da Era do Gelo.
Os fósseis desse animal já foram encontrados até no fundo do mar (como no Mar Interior de Seto, onde redes de pescadores frequentemente puxavam presas, marfim, dentes e ossos) e no centro de Tóquio, durante escavações de metrô.
Fonte: NHK 


