O Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão pretende iniciar, no ano fiscal de 2027, um projeto-modelo de “pré-classe” para crianças estrangeiras recém-chegadas ao país.
A iniciativa prevê orientação básica de língua japonesa para ajudar esses alunos a entender a rotina escolar, acompanhar as aulas e se adaptar melhor à convivência nas escolas japonesas.
Número de alunos que precisam de japonês bate recorde
A proposta surge em meio ao crescimento do número de crianças de nacionalidade estrangeira matriculadas em escolas públicas do Japão. Segundo levantamento do ministério, em 2025 havia 84.759 alunos que precisavam de orientação em japonês nas escolas públicas do país.
O número é o maior já registrado e representa quase o dobro em comparação com nove anos antes.
Entre esses estudantes, mais de 10% não recebiam orientação adequada na escola, principalmente por falta de profissionais, estrutura ou conhecimento especializado para atender esse público.
O que é a “pré-classe”
A chamada “pré-classe” é uma etapa de apoio antes ou no início da entrada da criança na rotina escolar japonesa. A ideia é ensinar o básico necessário para que o aluno consiga se adaptar melhor ao ambiente escolar.
Entre os conteúdos que podem ser trabalhados estão:
- frases básicas em japonês usadas no dia a dia da escola;
- vocabulário de sala de aula, como materiais, horários e instruções dos professores;
- regras de convivência e funcionamento da escola japonesa;
- orientação para acompanhar as aulas com menos dificuldade;
- apoio inicial para reduzir a barreira do idioma e evitar isolamento.
Governo quer criar critérios para todo o país
Algumas prefeituras, principalmente em regiões urbanas com grande presença de famílias estrangeiras, já realizam programas parecidos. No entanto, o conteúdo, o período de duração e a estrutura variam bastante conforme o município.
Em muitas regiões, especialmente onde há menos experiência no atendimento a alunos estrangeiros, as escolas ainda não contam com um modelo claro de orientação.
Com o novo projeto, o ministério pretende reunir informações sobre métodos eficazes de ensino, estrutura necessária e formas de atendimento. A intenção é criar uma espécie de referência nacional para que governos locais possam organizar melhor esse apoio.
Apoio poderá ser presencial ou online
O governo pretende selecionar várias regiões por meio de edital público. O formato do atendimento poderá mudar conforme a realidade de cada local.
Em cidades com muitos alunos estrangeiros, por exemplo, as crianças poderão ser reunidas em uma escola-base ou em instalações públicas para receber orientação presencial.
Já em áreas onde os alunos estrangeiros vivem espalhados por diferentes municípios, o ministério também considera a possibilidade de orientação online a partir de uma escola-base organizada pelo governo da província.
Material didático também está em estudo
Além de testar diferentes formatos de atendimento, o ministério também avalia a criação de materiais didáticos para ajudar escolas e professores no ensino inicial do japonês a alunos estrangeiros.
A expectativa é que a medida ajude a reduzir desigualdades entre regiões e melhore a adaptação de crianças que chegam ao Japão sem domínio suficiente do idioma.
Impacto para famílias brasileiras no Japão
Para famílias brasileiras e estrangeiras que chegam ao Japão com filhos em idade escolar, a falta de domínio do japonês costuma ser uma das maiores dificuldades no processo de adaptação.
Além de afetar o aprendizado, a barreira do idioma pode dificultar a comunicação com professores, a compreensão das regras escolares e a integração com outros alunos.
Se o projeto avançar, a “pré-classe” poderá se tornar uma ferramenta importante para ajudar crianças estrangeiras a iniciarem a vida escolar no Japão com mais segurança, apoio e condições de acompanhar as aulas.
Fonte: Jiji



