O governo japonês suspendeu temporariamente a emissão de novos Certificados de Elegibilidade para estrangeiros que pretendem trabalhar em restaurantes e serviços de alimentação fora de casa com o visto de trabalhador qualificado específico.
A medida afeta o campo de 外食業分野, que inclui restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação fora de casa. Segundo a FNN, a decisão já causa preocupação entre empresas que enfrentam falta de mão de obra e contavam com a contratação de estrangeiros para manter as operações.
Limite de 50 mil vagas está perto de ser atingido
O visto de Tokutei Ginou 1, ou Trabalhador Qualificado Específico nº 1, permite que estrangeiros com determinadas habilidades trabalhem no Japão em áreas com escassez de mão de obra.
O sistema possui limites de aceitação por setor. No caso da área de restaurantes, o teto previsto é de aproximadamente 50 mil trabalhadores. Como esse número está perto de ser alcançado, o governo decidiu suspender novas emissões de certificados para esse campo.
De acordo com a Agência de Serviços de Imigração do Japão, os pedidos de Certificado de Elegibilidade para o setor de restaurantes recebidos a partir de 13 de abril de 2026 passam a ser recusados temporariamente.
Empresas relatam confusão e impacto nas contratações
Segundo a FNN, um grupo que administra 14 restaurantes em Sapporo e Tóquio pretendia contratar dois indonésios como funcionários a partir da primavera de 2026. Porém, com a suspensão, os planos foram interrompidos de forma repentina.
Representantes do setor afirmam que a medida pegou empresas de surpresa, já que o período entre o anúncio e a aplicação da suspensão foi de apenas cerca de duas semanas.
Entre os principais impactos citados por restaurantes estão:
- dificuldade maior para contratar funcionários em meio à falta de mão de obra;
- cancelamento ou adiamento de admissões de trabalhadores estrangeiros já planejadas;
- risco de sobrecarga para equipes atuais;
- preocupação com atendimento ao público estrangeiro, especialmente em áreas com turismo internacional.
Preocupação também em outros setores
A FNN também destaca que a preocupação não se limita aos restaurantes. O setor de fabricação de alimentos e bebidas, que inclui áreas como supermercados, alimentos prontos, pescados e processamento de produtos alimentícios, também depende de trabalhadores estrangeiros.
Em uma rede de supermercados de Hokkaido, por exemplo, funcionários de Myanmar atuam em setores como alimentos preparados e peixaria. Alguns já trabalham no Japão há anos e também orientam colegas japoneses em japonês.
Nesse campo, o limite nacional é de pouco mais de 130 mil trabalhadores, e cerca de 70% das vagas já estariam preenchidas. Empresas temem que trabalhadores que não puderem entrar no setor de restaurantes migrem para outros segmentos, acelerando o preenchimento dos limites restantes.
Falta de mão de obra pesa mais nas regiões locais
A situação preocupa especialmente empresas fora dos grandes centros urbanos. Em regiões com população em queda e envelhecimento acelerado, a dependência de trabalhadores estrangeiros tende a ser ainda maior.
Segundo especialistas ouvidos pela FNN, limitar a entrada de trabalhadores estrangeiros sem uma estratégia clara pode afetar a economia regional. A avaliação é que o Japão precisa discutir com mais profundidade quais tipos de profissionais serão necessários nos próximos anos e como o sistema de aceitação deve ser ajustado.
O que muda na prática
- Novos pedidos de certificado para o setor de restaurantes, recebidos a partir de 13 de abril de 2026, ficam sujeitos à não emissão.
- A suspensão é temporária, mas não há indicação de normalização imediata.
- Empresas que já planejavam contratar estrangeiros podem ter que rever cronogramas.
- Outros setores com limites próximos também podem enfrentar pressão nos próximos meses.
A medida evidencia um dilema crescente no Japão: ao mesmo tempo em que o país tenta controlar a entrada de trabalhadores por setor, empresas de restaurantes, varejo alimentar e produção de alimentos enfrentam dificuldade cada vez maior para manter funcionários suficientes.
Com a queda da população ativa e a alta demanda por mão de obra, a discussão sobre o papel dos estrangeiros no mercado de trabalho japonês deve ganhar ainda mais força.
Fonte: FNN, Agência de Serviços de Imigração do Japão / Ministério da Justiça



