Após o período conhecido como “caos do arroz da era Reiwa“, o cenário no Japão mudou drasticamente. O que antes era escassez, agora se transformou em um estoque privado recorde, com o produto acumulado sem encontrar compradores.
Com a pressão de arroz importado e de estoques governamentais, os preços no varejo iniciaram uma trajetória de queda, enquanto o setor produtivo enfrenta o medo real do “afastamento do arroz” pelos consumidores.
Na terça-feira (21), uma visita ao supermercado Akidai, em Nerima (Tóquio), revelou prateleiras abastecidas com pacotes de 1 a 5 kg, mas sem clientes interessados.
Uma consumidora na faixa dos 70 anos relatou: “Eu comprava sempre, mas desde o ano passado está caro e parei. Às vezes compro onigiri, mas não cozinho mais arroz. Pão ou pratos prontos são suficientes”.
Outra consumidora, na faixa dos 60 anos, afirmou que passou a comprar diretamente de produtores conhecidos, mas ainda sente que o preço está elevado.
Queda de preços e incertezas no mercado
Dados do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca (MAFF) mostram que o preço médio do arroz caiu pela terceira semana consecutiva, atingindo 3.403 ienes por 5 kg no período de 6 a 12 de julho.
O presidente do supermercado Akidai, Hiroshi Akiba, projeta que, com a chegada da nova safra entre agosto e setembro, o preço de algumas marcas e regiões pode cair abaixo da marca de 3.000 ienes.
A crise teve origem na escassez de 2023, causada pelo calor extremo, que elevou os preços entre o verão de 2024 e 2025.
Atualmente, os números confirmam o excesso de oferta:
- O estoque privado de arroz integral no final de maio atingiu 2,23 milhões de toneladas, um aumento de 740 mil toneladas em relação ao ano anterior.
- Este é o maior nível para um final de maio desde 2014.
- O preço médio de negociação entre cooperativas agrícolas (JA) e atacadistas para a safra de 2025 caiu 1.859 ienes, fechando em 31.305 ienes por 60 kg, a maior queda desde o início das pesquisas.
Fonte: Tokyo NP



