Na terça-feira (21), no horário local, no mercado cambial de Nova York, a moeda japonesa sofreu uma forte queda, chegando temporariamente à marca de 163 ienes por dólar.
Esse é o patamar mais baixo em quase quatro décadas, um nível não visto desde dezembro de 1986.
O movimento de desvalorização foi impulsionado pelas preocupações com o agravamento das tensões no Oriente Médio — especialmente após a troca de ataques entre os Estados Unidos e o Irã —, o que acelerou a busca pelo dólar, considerado um “ativo de refúgio” em momentos de crise.
Outro fator que pressiona a moeda asiática é a alta contínua dos contratos futuros de petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) na Bolsa Mercantil de Nova York (NYMEX).
A perspectiva de que o encarecimento do petróleo amplie o déficit comercial do Japão tem estimulado ainda mais a venda de ienes pelos investidores.
Essa trajetória de queda não é um evento isolado, mas uma tendência observada nos últimos meses. Em junho, o iene já havia recuado para a casa dos 162 por dólar devido às expectativas de aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
Após cair para 162,80 no início de julho, a nova mínima registrada neste dia 21 acende um alerta no mercado sobre uma possível intervenção cambial de emergência por parte do Banco do Japão (BoJ) e do governo japonês.
Impacto direto na comunidade brasileira
Essa desvalorização histórica representa uma dura perda para a comunidade brasileira residente no Japão, afetando severamente as remessas financeiras enviadas para o Brasil.
No câmbio de quarta-feira (22), no horário do Japão, o envio de 50 mil ienes resulta em aproximadamente R$ 1.553,00 para as famílias brasileiras, mais taxas.
No entanto, quando a moeda japonesa operava em um patamar mais forte, cotada a 120 ienes por dólar, esse mesmo valor de 50 mil ienes garantia ao destinatário o equivalente a cerca de R$ 2.000,00. Trata-se de uma redução drástica no poder de compra e no rendimento desses trabalhadores, que veem o suor do seu esforço no exterior perder valor na hora de ajudar suas famílias no Brasil ou de fazer investimentos no país de origem.
Fontes: NHK e Google Finance 


