Uma sequência de erupções na cratera do pico Minamidake, em Sakurajima (Kagoshima), assustou os moradores na manhã de domingo (7). O primeiro evento ocorreu às 6h52 e a atividade contínua diminuiu para baixo do limiar eruptivo por volta das 7h55. No entanto, o impacto visual e material na região foi imediato.
O impacto da fumaça vulcânica e a queda de cinzas
A pluma vulcânica atingiu uma altura máxima de 1,3 mil metros acima da cratera. Essa densa fumaça se deslocou rapidamente para o oeste, empurrando uma enorme quantidade de cinzas em direção à cidade de Kagoshima (província homônima) por volta das 7h.
O cenário urbano mudou drasticamente, como mostram os registros enviados à emissora MBC.
1 – Escuridão ao amanhecer: no centro de Kagoshima, o céu foi completamente sufocado e escurecido pela fumaça vulcânica da erupção no Sakurajima. Moradores de Tagami relataram que, mesmo após as 7h da manhã, o dia parecia noite. “Estava completamente escuro quando acordei. Olhei para o céu e era a queda de cinzas. A escuridão total persistiu por mais de 50 minutos“, afirmou uma das testemunhas.
2 – Danos materiais e sujeira: além de cobrir as varandas e residências, a fuligem causou transtornos para os motoristas. Em Take, carros estacionados ao ar livre foram cobertos por uma espessa camada cinzenta. Um morador desabafou ao ver seu veículo tomado pela poeira: “As cinzas de Sakurajima são incríveis. O carro está uma bagunça, faz tempo que não vejo algo assim”. A consequência imediata foi filas de carros nos postos de gasolina para a lavagem.
3 – Turistas assustados: “Meus olhos doeram quando abri a janela. Fiquei surpreso com o quão branco tudo estava”, relatou uma visitante da província de Ibaraki. “Parecia que tinha nevado na cidade. Nunca tinha visto nada parecido, então fiquei surpresa”, declarou uma turista de Aichi.
4 – Varredores em ação: a prefeitura da cidade de Kagoshima mobilizou 10 caminhões varredores de rua durante a tarde para os trabalhos de remoção das cinzas vulcânicas.
Por que a previsão falhou? O desvio da fumaça para o oeste
A estação meteorológica previa que as cinzas do Sakurajima se moveriam para o leste, em direção à Península de Osumi. Contudo, a população de Kagoshima (a oeste) foi pega de surpresa. O Observatório Meteorológico Local de Kagoshima explicou que dois fatores principais mudaram a rota da fumaça e dos danos:
1 – A altitude da pluma vulcânica
Os modelos padrão de previsão indicam a direção das cinzas considerando uma pluma que atinja 3 mil metros ou mais. Como esta erupção foi mais baixa (atingindo o pico de 1,3 mil metros), a fumaça da erupção do Sakurajima ficou refém das correntes de vento de baixa altitude, que sopravam justamente para o oeste.
2 – A influência de um sistema de baixa pressão
Uma depressão tropical (potencial tufão) estava se aproximando pelo sul de Kyushu. No Hemisfério Norte, esses sistemas geram ventos no sentido anti-horário. Esse mecanismo acabou empurrando a fumaça vulcânica de leste para oeste, castigando a Península de Satsuma e o centro de Kagoshima.
Atividade persistente
Mesmo após o susto inicial, a atividade no Sakurajima não cessou totalmente. Por volta das 10h, uma coluna de fumaça mais baixa continuava a subir da cratera, contida pelos ventos fortes na região do cume. Mais tarde, às 11h06, uma nova erupção voltou a lançar fumaça e fuligem a até 1,1 mil metros de altura, mantendo a cidade em alerta contra novos danos.
Fonte: MBC / JNN



