Mais de duas semanas se passaram desde o segundo turno das eleições presidenciais entre Keiko Fujimori (da direita) e Roberto Sánchez, no Peru, mas a contagem oficial, com cerca de 99,7% dos votos apurados, só deve ser divulgada em meados de julho, um mês após a eleição.
A candidata Keiko Fujimori está com vantagem de 40.818 votos à frente do rival de esquerda, Roberto Sánchez, segundo dados das 18h de segunda-feira (22), horário local.
Enquanto isso, a Colômbia passou por um processo eleitoral semelhante, mas com uma diferença crucial: os resultados oficiais foram divulgados poucas horas após o fechamento das urnas, e Abelardo de la Espriella, da direita, já foi declarado o novo presidente com 49,65% dos votos frente aos 48,71% do candidato da esquerda.
Como são contados os votos no Peru e na Colômbia?
Dada a incerteza no Peru e a rapidez da contagem na Colômbia, a pergunta óbvia é: por que o processo é mais rápido na Colômbia do que no Peru? A resposta reside no processo de “contagem preliminar” da Colômbia, que permite a divulgação dos resultados em poucas horas, pois transmite 100% dos dados das seções eleitorais como informação preliminar.
No Peru, porém, os votos contestados ou impugnados não são incluídos na contagem geral até que outros procedimentos, como impugnações, recontagens e recursos, sejam esgotados — uma etapa preliminar crucial antes de declarar um vencedor, especialmente quando a diferença entre os candidatos é mínima, como tem sido o caso nas eleições recentes do país.
Guinada à direita na América do Sul
Abelardo de la Espriella, candidato do movimento de extrema-direita Defensores da Pátria, da Colômbia, construiu sua candidatura em dois pilares: segurança total com uma abordagem de “tolerância zero” com o crime e crescimento econômico acelerado. Sua plataforma promove a militarização do país, a construção de megaprisões de segurança máxima e o fim da política de paz total do atual presidente Gustavo Petro. Na frente econômica, promete crescimento anual de 7%, cortes de impostos para empresas e apoio ao fraturamento hidráulico.
Com a vitória da direita na Colômbia, a América Latina está dando uma guinada. No total, são 12 países na América do Sul e mais um subcontinente, a Guiana Francesa, dos quais 6 têm presidentes de direita. Se Keiko Fujimori for eleita, serão 7. Na América Central são 7 continentais e 13 insulares. Desses, Panamá, Costa Rica e El Salvador (Bukelismo) são de direita ou centro-direita.
O movimento faz parte de uma alternância que marca o continente desde o início do século. Em 26 anos, a região passou por quatro grandes momentos: a “onda rosa” dos anos 2000, a reação conservadora a partir de 2015, a retomada da esquerda entre 2019 e 2022 e a nova guinada à direita desde 2023.
Fontes: Expresso, El País, Congresso em Foco e Infobae 


