As primeiras conversas de alto nível baseadas no polêmico Memorando de Entendimento (MOU) entre os Estados Unidos e o Irã ocorreram em Bürgenstock, na Suíça, no domingo (21) e segunda-feira (22), no fuso local.
Com o objetivo de encerrar as hostilidades, o encontro resultou em um anúncio feito pelos países mediadores, Catar e Paquistão, confirmando a criação de um “comitê de alto nível” para monitorar a implementação do acordo.
Entre os pontos centrais acordados nesse memorando estão um sistema de comunicação para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz e uma organização de coordenação para assegurar o fim definitivo das operações militares no Líbano.
Apesar do avanço diplomático, o resultado prático das conversas gerou narrativas divergentes e transferiu o foco das atenções para as negociações em nível técnico.
“Honestidade nuclear do Irã”
Pelo lado americano, o vice-presidente JD Vance afirmou que a delegação — que liderou 36 horas de reuniões produtivas — obteve o consentimento do Irã para receber inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O presidente Donald Trump endossou a declaração nas redes sociais, afirmando que “todos sabem que o Irã aceitará as inspeções para garantir sua ‘honestidade nuclear’“.
Em contrapartida a esse aceno, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou o alívio temporário de sanções por 60 dias, autorizando a produção, transporte e venda de petróleo bruto e derivados iranianos.
Trump detalhou que os fundos iranianos desbloqueados deverão ser convertidos exclusivamente na compra de alimentos de agricultores americanos e alertou que, caso o Irã não cumpra o memorando, tomará “as medidas que forem precisas”.
Irã nega acordo em relação à questão nuclear
Por outro lado, o Irã negou categoricamente as afirmações de Washington sobre a questão nuclear. A televisão estatal iraniana, citando fontes ligadas às 18 horas de debates na Suíça, informou que o tema atômico sequer foi discutido e que “nenhuma nova promessa foi feita”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, reforçou que a cooperação com a AIEA seguirá estritamente as estruturas existentes, as leis parlamentares e as decisões do Conselho Supremo de Segurança, sem confirmar formalmente a vinda de novos inspetores.
Baghaei adotou um tom de cautela ao declarar que a política de Teerã se baseará em “promessas em troca de promessas”.
Paralelamente, o Irã buscou consolidar sua posição regional e responder a críticas internas.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, rebateu a oposição doméstica na rede social X, defendendo que a ida à Suíça evitou maior derramamento de sangue muçulmano e xiita no Líbano.
Logo após, Ghalibaf e o chanceler Abbas Araghchi partiram para Omã para se reunir com o Rei Haitham. O objetivo é discutir a gestão e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, conforme previsto no memorando.
Implementação do Memorando de Entendimento
Enquanto a delegação oficial iraniana iniciava seu retorno, as negociações técnicas sobre os mecanismos de implementação do Memorando de Entendimento (MOU) e a criação de grupos de trabalho já começavam na Suíça sob a liderança do vice-chanceler iraniano, Kazem Gharib Abadi.
Nos EUA, o secretário de Estado, Marco Rubio, programou visitas aos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein para estender as discussões regionais sobre a estabilidade e a segurança marítima, a partir de terça-feira (23).
Diante do ceticismo mútuo, o sucesso do acordo dependerá do andamento desses grupos de trabalho técnicos ao longo da semana.
Na segunda-feira (22), fuso local, o presidente Donald Trump afirmou [de novo] que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto e que não haverá problemas desde que o Irã respeite os EUA.
Fontes: NHK e Iran Intl 


