A Marinha da China anunciou o lançamento subaquático de um míssil estratégico equipado com uma ogiva simulada, disparado de um submarino nuclear por volta das 12h01 de segunda-feira (6), no horário local.
O artefato de longo alcance caiu em águas internacionais no Oceano Pacífico, em uma área planejada que não foi detalhada. Segundo Pequim, o teste fez parte de um treinamento militar anual, notificado previamente aos países relevantes, e seguiu o direito internacional, sem visar alvos específicos.
Apesar do aviso prévio transmitido à Embaixada do Japão em Pequim pelo Ministério da Defesa Nacional da China, o governo japonês expressou sérias preocupações com a crescente atividade militar chinesa. Tóquio instou o país vizinho a reconsiderar tais exercícios para evitar ameaças à segurança regional, como o risco de sobrevoo de seu território.
O Secretário-Chefe do Gabinete do Japão, Kihara, informou em coletiva de imprensa que o monitoramento inicial não indicou que o míssil tenha sobrevoado o território japonês ou sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE), e não houve relatos de danos a aeronaves ou embarcações. Contudo, Kihara alertou para a falta de transparência nos gastos de defesa de Pequim e para a rápida expansão de suas capacidades nucleares. O Japão afirmou que manterá a vigilância e buscará responder de forma calma por meio de canais diplomáticos.
China minimiza o teste do míssil balístico
Em contrapartida, Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, minimizou as críticas e pediu que as nações envolvidas “evitem interpretações exageradas”, reforçando que a operação do lançamento do míssil cumpriu padrões profissionais de segurança.
Especialistas ouvidos pelo jornal estatal chinês Global Times apontam que o artefato testado é provavelmente o “Julang-3” (JL-3), um míssil balístico lançado por submarino (SLBM) apresentado em um desfile militar em 2025.
Pacífico em alerta
Com alcance estimado em mais de 10 mil quilômetros — cobrindo do Pacífico Sul ao Pacífico Leste —, a arma consolida a capacidade chinesa de contra-ataque nuclear a partir de submarinos, que são de difícil detecção.
A demonstração de força, no entanto, ecoou negativamente na Oceania. O teste ocorreu em águas que integram a Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida pelo Tratado de Rarotonga (do qual a China é signatária desde 1987).
O Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, classificou o teste como um “desenvolvimento indesejável e preocupante”, lembrando um lançamento de ICBM semelhante ocorrido em 2024. Peters alertou que a região não deve permitir a normalização dessas atividades. No mesmo tom, a Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, definiu o exercício militar chinês como “desestabilizador para a região”.
Fontes: NHK, JNN e Washington Post 


