A escalada militar entre Estados Unidos e Irã atingiu um ponto crítico, trazendo de volta o fantasma do desabastecimento e da inflação global, incluindo o Japão.
Após três dias consecutivos de bombardeios aéreos americanos e o uso inédito de embarcações de superfície não tripuladas contra portos iranianos, o Irã retaliou atacando bases dos EUA no Oriente Médio.
O estopim para a crise logística ocorreu na terça-feira (14), quando Washington declarou um novo “contra-bloqueio” no Estreito de Ormuz em resposta ao fechamento da via pelo Irã.
Com o colapso definitivo do cessar-fogo de 60 dias assinado em junho, o tráfego de petroleiros na região — que havia se recuperado para uma média de 60 navios diários — despencou para apenas 5 embarcações logo após os anúncios.
“Rebloqueio” de Trump: 20% de pedágio equivalem a ¥5 bi para o Japão
Além do bloqueio físico, a grande preocupação do mercado internacional é a mais nova e polêmica exigência do presidente Donald Trump: uma taxa de segurança de 20% sobre o valor de todas as cargas que cruzam o Estreito de Ormuz.
Sob a justificativa de que os EUA atuam como “guardiões” da livre navegação na região, a medida impõe uma cobrança sem precedentes na história do comércio marítimo global.
Para se ter uma dimensão do impacto financeiro, o Irã historicamente cobrava uma taxa de trânsito de cerca de US$ 1 por barril de petróleo bruto, o que custava aproximadamente 320 milhões de ienes por petroleiro de grande porte (com capacidade para 2 milhões de barris), refletindo em uma alta de apenas 1 iene por litro de gasolina no Japão.
Já o novo pedágio de 20% proposto por Trump equivale a assustadores 5,2 bilhões de ienes por embarcação.
Sem a aplicação de subsídios governamentais, essa taxa elevaria o preço da gasolina nas bombas do Japão entre 12 e 14 ienes por litro quase imediatamente.
O mercado financeiro reagiu com nervosismo. O preço do barril de petróleo WTI disparou, superando a marca dos US$ 80 — a maior cotação desde meados do mês passado —, impulsionado por compras preventivas devido ao aumento das tensões.
Analistas econômicos apontam que, além do custo do combustível, o avanço do petróleo gera um efeito cascata que encarece a produção industrial e a logística global, reduzindo o lucro das empresas e pressionando o orçamento das famílias.
Além da gasolina, impacto nos preços de alimentos e outros produtos
Economistas do Instituto de Pesquisa Nomura alertam que a onda de reajustes de preços de alimentos e bens de consumo no Japão, prevista para durar até outubro, já era um reflexo da alta do petróleo ocorrida nos meses anteriores.
Esperava-se que os preços se estabilizassem no final do ano caso o mercado de energia se acalmasse. Contudo, diante do novo cenário e da possibilidade de tarifas permanentes em Ormuz, as chances de uma trégua na inflação japonesa em 2026 praticamente desapareceram.
O impacto de longo prazo vai além do bolso do consumidor. Ao endossar uma cobrança de passagem em um estreito de águas internacionais livre por direito, os Estados Unidos criam um precedente perigoso que ignora as leis marítimas globais, abrindo margem para que outros países passem a cobrar “pedágios” unilaterais em qualquer oceano do planeta.
O mundo agora aguarda com apreensão o pronunciamento oficial que Donald Trump fará à nação na manhã do dia 17 (horário do Japão), quando novas diretrizes para a região devem ser detalhadas.
Fonte: NNN 


