Comprar um smartphone 0km no Japão tem se tornado um desafio para o bolso. Impulsionadas pela escalada de preços dos aparelhos novos, as vendas de smartphones usados no ano fiscal de 2025 atingiram a marca histórica de 3,607 milhões de unidades — um salto de 12,4% em relação ao período anterior e o sétimo ano consecutivo de recordes, segundo dados do instituto de pesquisas MM Research.
O bolso do consumidor sente o peso dessa transição: em janeiro de 2026, o preço médio de um smartphone novo no país chegou a 78.771 ienes, uma alta de aproximadamente 30% em comparação a dezembro de 2021.
Essa disparada é reflexo direto da escassez e encarecimento de semicondutores, da forte desvalorização do iene e da alta sofisticação tecnológica dos modelos mais recentes.
Usados, mas com “cara de novos”: o boom dos recondicionados
Diante desse cenário, a percepção dos consumidores mudou. Segundo Hideaki Yokota, diretor do MM Research Institute, muitos perceberam que modelos de dois ou três anos atrás atendem perfeitamente às necessidades do dia a dia por uma fração do preço de um novo.
A estimativa é que esse mercado ultrapasse a marca de 5 milhões de aparelhos vendidos até o ano fiscal de 2029.
Para surfar essa onda e reduzir o receio dos compradores sobre a vida útil dos aparelhos, grandes empresas estão investindo pesado em processos rigorosos de triagem, limpeza e manutenção técnica.
Um exemplo recente dessa transformação ocorreu nesta terça-feira (14), com o anúncio da Mercari, maior plataforma de desapegos do Japão.
A empresa lançou um portal de e-commerce exclusivo para produtos de alto valor — como smartphones, câmeras e bolsas de grife — que passam por reparos e higienização de empresas parceiras especializadas.
No caso dos smartphones, os aparelhos são classificados em quatro níveis de conservação (com base no estado estético e na presença de riscos) e contam com políticas de devolução e garantia pós-compra.
“O mercado de produtos usados recondicionados profissionalmente está se expandindo muito rápido”, destacou Takaaki Shinohara, executivo da Mercari. “Nosso objetivo é oferecer uma plataforma onde o cliente possa comprar itens de alto valor sem se preocupar com a qualidade física ou funcional do aparelho.”
Fonte: NHK 


