Em um momento de crescente incerteza no fornecimento de energia global e de constantes tensões geopolíticas no Oriente Médio — como a instabilidade envolvendo o Irã —, o mercado mundial volta seus olhos para uma nova fronteira energética.
Apelidada por especialistas e pela mídia internacional de a “Dubai da América do Sul“, é um país que vem protagonizando uma das transformações econômicas mais impressionantes da história recente, atraindo a atenção de grandes potências e de corporações globais, incluindo gigantes do Japão.
Contexto geográfico e geopolítico da “Nova Dubai”
Localizada na costa norte da América do Sul, a Guiana faz fronteira ao sul e sudoeste com o Brasil (com forte ligação na divisa com o estado de Roraima), a oeste com a Venezuela e a leste com o Suriname.
Com uma área territorial aproximada de 215 mil quilômetros quadrados (comparável à ilha principal de Honshu, no Japão) e uma população enxuta de cerca de 800 mil habitantes, o país é uma ex-colônia britânica e o único da América do Sul a ter o inglês como idioma oficial.
Geopoliticamente, o país ganhou relevância estratégica desproporcional ao seu tamanho, impulsionado por suas gigantescas reservas de combustível fóssil e pela histórica — e recentemente reacendida — disputa territorial com a vizinha Venezuela sobre a região de Essequibo.
Do retardo econômico ao boom de 62% no PIB
Historicamente vista como um dos países mais pobres do continente sul-americano, a trajetória da Guiana mudou drasticamente a partir de 2015, quando grandes petroleiras americanas descobriram vastos campos de petróleo offshore (em alto-mar).
O impacto econômico foi imediato e avassalador: em 2022, o país registrou um crescimento inacreditável de 62% no seu Produto Interno Bruto (PIB).
Hoje, a Guiana, a “Dubai da América do Sul”, ostenta a maior produção de petróleo bruto per capita do planeta. A paisagem urbana reflete essa bonança: pontes monumentais, novos complexos hoteleiros e arranha-céus residenciais surgem a um ritmo acelerado, transformando a rotina do país.
Empresas japonesas na “Nova Dubai”
Buscando diversificar suas fontes e garantir um suprimento estável de recursos, empresas do Japão não perderam tempo em se posicionar nessa nova rota do Pré-Sal Sul-Americano.
A MODEC (Mitsui Ocean Development & Engineering), referência nipônica na construção e operação de navios-plataforma do tipo FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo), já está atuando na linha de frente nas águas guianenses.
Profissionais japoneses, como o engenheiro Yuki Takahashi — o primeiro do seu país designado para operar nessas instalações no mar da Guiana —, reforçam o compromisso de contribuir para a estabilidade do fornecimento energético global.
Com o avanço dos novos projetos operados na região, a produção da Guiana deve ultrapassar a marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia, o equivalente a cerca de um terço do consumo diário de todo o Japão.
Desafios internos na “Nova Dubai” e o contraste com a população
Apesar do entusiasmo do governo e dos investidores internacionais demonstrado em grandes fóruns globais de energia, o “milagre econômico” enfrenta sérias críticas internas.
Na região de Essequibo, próxima aos campos produtores, moradores locais e aposentados relatam que os frutos dessa riqueza mineral não estão chegando a toda a sociedade.
A percepção de que “os ricos estão ficando mais ricos e os pobres, mais pobres” cresce à medida que populações do interior ainda vivem em situação de vulnerabilidade, levantando questionamentos sobre a distribuição justa dos royalties e se a prosperidade petrolífera conseguirá, de fato, beneficiar a totalidade do povo guianense.
Fontes: JNN e Dialogue Earth 


