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Política

Trabalhar mais ou viver melhor? O dilema que vai mudar as leis trabalhistas do Japão

Uma parte dos trabalhadores pede mais horas para fechar as contas, enquanto o governo teme pela saúde mental. Impactos na mudança das leis trabalhistas.

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Redação

Atualizado em 06/03/2026

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Konishi Sangyo - Empregos no Japão
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leis trabalhistas
Foto ilustrativa de diversos trabalhadores (PM)

Uma nova pesquisa, divulgada na quinta-feira (5), do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão (MHLW) revela um retrato fiel da força de trabalho japonesa em 2026, fonte para as mudanças nas leis trabalhistas.

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Os resultados mostram que 60% dos trabalhadores estão satisfeitos, mas uma parcela significativa clama por mais horas de trabalho para combater o aperto financeiro. Os dados servirão de base para a aguardada revisão das leis trabalhistas.

O raio-X das necessidades 

O levantamento, que ouviu 3 mil pessoas e centenas de empresas, mostra uma divisão clara de prioridades:

  • A busca pelo rendimento (10,5%): dos que desejam aumentar a jornada, a maioria trabalha menos de 35 horas semanais. O motivo é puramente pragmático: 41,6% precisam de salários maiores e temem que as finanças domésticas colapsem sem o pagamento de horas extras.
  • O valor do tempo (30%): no lado oposto, quem deseja trabalhar menos prioriza a saúde e o tempo pessoal, alegando que a renda atual não compensa o desgaste físico.
  • O status quo (59,5%): a maioria prefere manter a jornada atual, priorizando a estabilidade.
O QUE DESEJAM % MOTIVAÇÃO PESSOAL DOS TRABALHADORES
Desejam Aumentar Jornada 10,50% Ganhar mais / Finanças apertadas sem horas extras (41,6%)
Satisfeitos (Status quo) 59,50% Manutenção do equilíbrio atual e saúde
Desejam Diminuir Jornada 30,00% Ter mais tempo para si / Lazer (66,7%)

O “nó” da reforma das leis trabalhistas: flexibilizar ou proteger?

O governo japonês, sob a gestão da Primeira-Ministra Takaichi, planeja revisar o sistema de trabalho discricionário (onde o funcionário tem mais autonomia sobre o horário). No entanto, o debate está acalorado.

Sob a visão sindical (Rengo), o presidente Yoshino é enfático: as regras não devem ser flexibilizadas. Para ele, o desejo de trabalhar mais horas é um sintoma de salários baixos. “É preciso aumentar o salário base para que ninguém precise depender de horas extras para sobreviver”, afirmou.

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Na visão do governo, o Subsecretário-Chefe do Gabinete, Sato, reforçou que a prioridade absoluta deve ser a saúde física e mental nessa mudança das leis trabalhistas. O governo promete ouvir especialistas e representantes de ambos os lados para garantir que a reforma não resulte em retrocesso.

Leis trabalhistas e os desafios corporativos

Das 327 empresas consultadas, a maioria prefere não alterar as jornadas atuais, citando a dificuldade em garantir a saúde dos funcionários frente a cargas de trabalho já elevadas. 

No entanto, 140 empresas admitiram que seus próprios colaboradores pedem para trabalhar mais — seja para ganhar mais, seja para acelerar o aprendizado profissional.

Fontes: NHK e NNN

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