O Japão corre o risco de enfrentar uma grave crise no fornecimento de energia elétrica durante o verão, período de alta demanda por ar-condicionado.
O alerta foi emitido na segunda-feira (13) por Takafumi Yanagisawa, analista executivo do Instituto de Economia de Energia do Japão (IEEJ), que apontou as interrupções nos carregamentos de Gás Natural Liquefeito (GNL) devido à prolongada crise no Oriente Médio como a principal causa.
Segundo Yanagisawa, a continuidade do conflito na região pode não apenas impactar o abastecimento imediato, mas também atrasar o início de novas remessas de GNL que o Japão espera receber a partir de 2028, provenientes de projetos em desenvolvimento no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
O impacto do bloqueio no Estreito de Ormuz
Anualmente, o Japão recebe aproximadamente 4 milhões de toneladas métricas de GNL – o que representa cerca de 6% do total de suas importações – através do Estreito de Ormuz.
Esta rota marítima vital tem sido efetivamente bloqueada em decorrência da guerra no Irã, dificultando o fluxo de suprimentos essenciais.
Em 2024, o Catar e os Emirados Árabes Unidos foram responsáveis por 4% e 2%, respectivamente, das importações de GNL do Japão que transitam pelo Estreito de Ormuz.
Embora a Austrália seja o maior fornecedor de GNL para o Japão, com compras também realizadas de países como Malásia, Estados Unidos e Rússia, a contribuição do Catar e dos Emirados Árabes Unidos é crucial.
O GNL proveniente do Catar e dos Emirados Árabes Unidos supre cerca de 3,5% da demanda de energia elétrica do Japão.
Yanagisawa enfatizou que “uma queda de 3,5% não é de forma alguma pequena à medida que nos aproximamos dos meses de verão“, especialmente porque afeta diretamente a margem de reserva de energia do país.
Quase 60% das importações de GNL do Japão são destinadas à geração de energia elétrica, enquanto o restante é utilizado para gás de cidade e outros suprimentos.
Estratégias de mitigação e desafios futuros
Para mitigar o risco imediato, as concessionárias de energia japonesas estão adquirindo volumes adicionais no mercado spot e utilizando a Tolerância de Quantidade Superior (UQT) de contratos existentes com fornecedores como Austrália e Estados Unidos.
Sob o regime UQT, o volume de fornecimento pode ser aumentado em cerca de 10% do volume contratado, mediante acordo mútuo.
Contudo, o cenário a longo prazo é mais complexo. As instalações de GNL do Catar foram danificadas por ataques iranianos, e os reparos nas seções afetadas podem levar até cinco anos.
Mesmo que o bloqueio do Estreito de Ormuz seja suspenso, a redução das exportações de GNL do Catar provavelmente persistirá por um tempo considerável, e os projetos de expansão podem ser adiados, conforme alertou Yanagisawa.
Antes da crise no Oriente Médio, havia uma expectativa de que o mercado global de GNL enfrentaria um excedente de oferta até 2030. No entanto, essa perspectiva está se tornando cada vez mais difícil de ser mantida diante dos atuais desenvolvimentos geopolíticos.
Fonte: CNA



