Oito grandes operadoras de postos de gasolina no Japão estão sob investigação por supostamente orquestrarem um cartel de preços para controlar os custos do diesel para seus clientes corporativos.
De acordo com fontes, executivos dessas empresas participaram de reuniões mensais, conhecidas como “Chuo-kai”, para coordenar estratégias de preços para seus “postos de serviço de frota”, que atendem principalmente a grandes empresas de transporte.
A maioria dos executivos envolvidos admitiu essas atividades durante interrogatórios pelo Escritório da Promotoria Pública do Distrito de Tóquio, descrevendo a colusão como uma tradição industrial de longa data, herdada de seus antecessores.
Mecanismos de manipulação de lucros
O cartel funcionava compartilhando dados de aquisição média e flutuações semanais de preços para sincronizar ajustes de vendas no final de cada mês.
Ao mover os preços em incrementos de aproximadamente 0,1 a 1 iene por litro, as empresas garantiam que suas margens de lucro permanecessem estáveis, mesmo quando os custos de atacado aumentavam.
Esse comportamento cooperativo neutralizou efetivamente as forças de mercado e impediu a concorrência justa no setor de diesel, já que as empresas se concentravam em manter níveis de lucro coletivos, em vez de oferecer taxas competitivas.
Impacto no consumidor e inflação
As consequências econômicas dessa fixação de preços vão muito além dos postos de combustível, pois o diesel é um recurso crítico para as indústrias de logística e transporte rodoviário.
As autoridades expressaram preocupação de que os preços artificialmente altos do combustível foram provavelmente repassados ao público em geral por meio de custos aumentados para bens de consumo.
Essa falta de quedas de preços impulsionadas pelo mercado cria um efeito cascata em toda a cadeia de suprimentos, contribuindo, em última instância, para pressões inflacionárias mais amplas que afetam os consumidores e os gastos domésticos.
Resposta legal e repressão antiruste
Em resposta a essa restrição maliciosa do comércio, a Comissão de Comércio Justo do Japão (JFTC) e promotores especiais lançaram uma série de batidas e investigações conjuntas a partir do final de 2025.
Esses esforços culminaram no dia 17 de abril de 2026, quando a JFTC apresentou uma acusação criminal formal ao procurador-geral.
Este passo legal significativo representa a primeira denúncia criminal por violação antitruste no Japão desde o notório escândalo de manipulação de licitações dos Jogos Olímpicos de Tóquio, sinalizando uma repressão renovada e vigorosa contra cartéis corporativos.
Fonte: MN



