Autoridades da Nova Zelândia rejeitaram, na quarta-feira (29), um pedido para a instalação de uma estátua em homenagem às chamadas “mulheres de conforto”, vítimas de escravidão sexual pelo Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
A decisão foi tomada após Tóquio sugerir que o monumento poderia prejudicar as relações diplomáticas.
O Japão forçou cerca de 200 mil mulheres da Coreia, China e Sudeste Asiático à escravidão sexual entre 1932 e 1945, um tema que permanece como um ponto sensível nas relações de Tóquio com seus vizinhos.
O Korean Garden Trust buscava instalar a estátua em honra às sobreviventes na Barry’s Point Reserve, no subúrbio de Takapuna, em Auckland.
Impacto diplomático e decisão local
Após um processo de consulta pública, o Devonport-Takapuna Local Board recusou a solicitação. “Esta foi uma decisão difícil, que não tomamos de ânimo leve”, afirmou a presidente do conselho, Trish Deans.
Ela destacou que o grupo considerou cuidadosamente o aconselhamento técnico e o feedback recebido da comunidade.
Entre as submissões recebidas, constava uma carta do embaixador japonês Makoto Osawa, que argumentou que a estátua poderia “causar divisão e conflito dentro da maravilhosa sociedade multiétnica e multicultural da Nova Zelândia, e entre as comunidades japonesa e coreana”.
O Ministério das Relações Exteriores e Comércio de Wellington também confirmou que o governo japonês fez “representações formais” sobre a proposta.
Apesar da recusa, Trish Deans reconheceu que muitos participantes apoiaram a estátua como uma oportunidade de aprendizado e reflexão sobre os eventos da guerra.
“Reconhecemos a importância da história que a estátua representa e prestamos homenagem às sobreviventes cujas histórias ela busca honrar”, concluiu.
Fonte: CNA



