O Japão registrou um recorde de 4.354 casos de gestações múltiplas resultantes de tecnologia de reprodução assistida em 2023.
O dado, revelado por um estudo recente, marca um aumento de 36% em relação a 2022, justamente um ano após o tratamento se tornar elegível para a cobertura do seguro de saúde público.
Pesquisadores indicam que o crescimento pode refletir uma tendência de pacientes que optam pela transferência de múltiplos embriões de uma só vez. A estratégia visa aumentar as chances de sucesso dentro do número limitado de ciclos cobertos pelo seguro.
Gestações múltiplas, como gêmeos e trigêmeos, trazem riscos elevados para as gestantes. Por isso, a Sociedade Japonesa de Obstetrícia e Ginecologia recomenda, em princípio, que apenas um embrião seja transferido por vez.
Regras do seguro e riscos perinatais
O sistema de seguro público do Japão cobre a transferência de embriões até seis vezes para mulheres que tinham menos de 40 anos ao iniciar o tratamento, e até três vezes para aquelas com idade entre 40 e 42 anos.
Ayumu Ito, professor da Toho University e envolvido no estudo, afirmou: “O sistema de seguro precisa ser revisado levando em conta a carga potencial de gestações de alto risco nos cuidados perinatais”.
Durante a fertilização in vitro, a transferência de múltiplos embriões aumenta a probabilidade de gravidez, mas eleva o risco de gestações múltiplas.
A taxa desse tipo de gravidez superou 10% até 2007. Em 2008, a sociedade recomendou a transferência de embrião único, permitindo dois apenas para mulheres com 35 anos ou mais, ou que falharam em engravidar após duas ou mais tentativas.
A porcentagem de gestações múltiplas caiu e permaneceu em torno de 3% a partir de 2014, mas subiu para 3,8% em 2023. Segundo o estudo, a maioria dos casos envolveu gêmeos, mas também foram registrados:
- 69 casos de trigêmeos
- 6 casos de quadrigêmeos
Além do aumento nas gestações, o número total de procedimentos de reprodução assistida cresceu. Os pesquisadores observaram que a transferência de dois ou mais embriões aumentou significativamente entre pessoas com 41 anos ou mais.
Fonte: MN



