O uso do medicamento para diabetes Mounjaro com finalidade de emagrecimento, somado à expansão da venda ilegal entre particulares por meio das redes sociais, tornou-se um problema crescente no Japão.
O professor Tomohiro Yasuda, da Faculdade de Enfermagem da Universidade Seirei Christopher, especialista em Ciências da Saúde, analisa que o fenômeno tem raízes em valores sociais que validam a magreza.
“Os jovens veem postagens de influenciadores e comentários nas redes sociais, onde os padrões de beleza enfatizados e a facilidade de acesso ao medicamento acabam repercutindo e se espalhando”, explica Yasuda.
A pressão dos padrões digitais
Termos usados como indicadores de um suposto ideal de corpo feminino, como “peso Cinderela” e “valores de especificação”, circulam intensamente nas redes sociais, atingindo faixas etárias cada vez mais jovens.
Segundo o professor, mesmo que racionalmente as pessoas saibam que esse padrão não é medicamente correto, o ideal de corpo almejado continua sendo o da magreza extrema.
De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão realizada em 2024, cerca de uma em cada seis mulheres japonesas na faixa dos 20 aos 30 anos apresenta IMC abaixo de 18,5, sendo classificada como “magra”.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Japão ocupa o primeiro lugar isolado entre os países da OCDE em proporção de mulheres adultas abaixo do peso.
Riscos à saúde e o ciclo de tendências
Yasuda alerta que a magreza excessiva pode levar a diversos problemas de saúde, incluindo:
- Distúrbios menstruais;
- Dificuldades na gestação e no parto;
- Risco futuro de osteoporose;
- Sarcopenia, que é a perda de massa muscular relacionada à idade;
- Aumento do risco de necessidade de cuidados de enfermagem.
“Mesmo que uma tendência de emagrecimento desapareça, ela pode facilmente se transformar em um novo ciclo vicioso de modas perigosas”, adverte Yasuda.
Ele enfatiza que é fundamental promover a educação em saúde e a alfabetização informacional, além de garantir que as instituições médicas não deixem a decisão sobre o uso de medicamentos exclusivamente a cargo do paciente.
Fonte: Tokai TV



