A forma como são realizados os exames médicos nas escolas japonesas voltou a gerar discussão no país.
Mesmo após uma orientação do governo pedindo mais cuidado com a privacidade e os sentimentos dos estudantes, ainda há escolas que mantêm práticas consideradas constrangedoras, como pedir que alunos retirem parte da roupa durante a avaliação médica.
A questão ganhou destaque após reportagem do jornal Mainichi, que levantou a pergunta: “É mesmo preciso tirar a roupa íntima?”.
O debate envolve principalmente os exames de saúde realizados anualmente em escolas, nos quais médicos verificam aspectos como coluna, tórax, pele e possíveis alterações cardíacas.
Governo pediu mais cuidado com a privacidade
Em janeiro de 2024, o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão emitiu uma notificação orientando escolas e profissionais de saúde a adotarem medidas para proteger a privacidade dos estudantes.
A recomendação prevê que, sempre que não houver prejuízo ao exame, os alunos possam usar roupas de ginástica, roupa íntima ou cobrir o corpo com toalhas.
A orientação também pede que as escolas criem ambientes adequados para a realização dos exames, com divisórias, cortinas ou espaços separados, evitando que outros estudantes vejam o corpo dos colegas.
Outra medida recomendada é reduzir o número de alunos aguardando no mesmo local e garantir maior cuidado, especialmente durante exames de meninas.
Práticas ainda variam conforme a escola
Apesar disso, a aplicação das regras ainda varia conforme a escola, a cidade e a orientação dos médicos escolares.
Em alguns locais, a prática de pedir que os estudantes fiquem com a parte superior do corpo descoberta continua sendo adotada sob o argumento de que determinados exames exigem observação direta para garantir precisão.
A Associação Médica do Japão afirma que o exame escolar não tem o objetivo de dar um diagnóstico definitivo, mas funciona como uma triagem para identificar problemas que possam afetar a vida escolar da criança ou adolescente.
Segundo a entidade, roupas podem dificultar a verificação de alterações na coluna, no tórax, na pele ou em avaliações cardíacas.
Constrangimento preocupa pais e estudantes
Por outro lado, pais, alunos e especialistas defendem que a necessidade médica deve ser equilibrada com o respeito à privacidade, principalmente durante a puberdade. Para muitos estudantes, a exposição do corpo em ambiente escolar pode causar vergonha, ansiedade e sensação de invasão.
A orientação do governo japonês não proíbe totalmente que partes do corpo sejam descobertas durante o exame. No entanto, determina que isso seja feito apenas quando necessário, por tempo limitado e de forma cuidadosa, explicando previamente aos estudantes o motivo do procedimento.
O tema mostra um desafio ainda presente nas escolas japonesas: conciliar a precisão dos exames de saúde com a proteção emocional e a privacidade dos alunos.
Mesmo com a notificação do governo, práticas antigas seguem em parte das instituições, mantendo vivo o debate sobre até onde vai a necessidade médica e onde começa o constrangimento para crianças e adolescentes.
Fontes: MN, Ministério da Educação do Japão, Associação Médica do Japão



