Com o aumento das temperaturas no Japão, cresce também a procura por rios e áreas naturais para lazer em família. No entanto, especialistas alertam que mesmo trechos aparentemente rasos podem esconder riscos graves de afogamento, especialmente para crianças e adolescentes.
No dia 1º de julho, uma simulação de resgate foi realizada no rio Yahagi, em Nishio (Aichi). O treinamento considerou a hipótese de uma pessoa desaparecida durante uma brincadeira no rio.
Drones foram usados para localizar a vítima, enquanto equipes de resgate atuaram em coordenação com um helicóptero para a retirada em segurança.
Segundo dados citados na reportagem, no ano passado foram registrados em todo o Japão 760 mortos ou desaparecidos em acidentes aquáticos.
Cerca de 40% desses casos ocorreram em rios. Em 13 de junho, em Nagoia (Aichi), seis alunos do segundo ano do ensino ginasial caíram em uma área profunda do rio Shonai; cinco conseguiram sair, mas um adolescente de 13 anos morreu afogado.
Quatro perigos escondidos nos rios
De acordo com Ryosuke Inagaki, professor da Universidade Gifu Shotoku Gakuen e pesquisador de prevenção de afogamentos infantis, há quatro pontos que merecem atenção nos rios: temperatura da água, correnteza, profundidade e fundo do rio.
Em uma medição feita em Nakatsugawa (Gifu), enquanto a temperatura do ar era de 25,3°C, a água do rio estava em torno de 15°C, mais de 10°C abaixo da água comum de piscinas escolares no mesmo período.
Entrar de repente em água fria pode causar hiperventilação, hipotermia ou até problemas cardíacos. A hiperventilação é especialmente perigosa porque pode levar a pessoa a engolir muita água e se afogar.
A orientação é entrar devagar na água e preparar o corpo gradualmente, evitando mergulhos bruscos.
Outro risco é a correnteza, que pode variar muito em poucos centímetros. Em uma medição, a velocidade da água era de 52,3 centímetros por segundo em um ponto e de 124,3 centímetros por segundo em outro local próximo.
Mesmo em água abaixo do joelho, uma pessoa que escorrega e cai sentada pode receber uma pressão cerca de cinco vezes maior do que quando está em pé, tornando difícil se levantar e escapar da corrente.
Colete salva-vidas e supervisão constante
A profundidade também pode mudar de forma repentina. Um trecho com apenas 20 a 30 centímetros de água pode ficar próximo de uma área com quase 1 metro de profundidade.
O fundo do rio representa outro perigo: pedras firmes podem dar lugar a areia e cascalho solto, fazendo a pessoa perder apoio e ser levada mesmo por uma corrente aparentemente fraca.
Para reduzir o risco, especialistas recomendam o uso de colete salva-vidas adequado ao tamanho da pessoa. Caso alguém seja arrastado pela corrente, o ideal é não tentar nadar contra a força da água.
Com o colete, a orientação é permanecer de barriga para cima, com braços e pernas abertos, aguardando socorro.
O professor Inagaki reforça que os mesmos elementos que tornam o rio divertido também podem torná-lo perigoso.
Para os responsáveis, a recomendação é clara: não tirar os olhos das crianças e permanecer perto o suficiente para alcançá-las imediatamente em caso de emergência.
Fonte: Nagoia TV



