Pela primeira vez em cerca de duas décadas, o Governo Metropolitano de Tóquio se prepara para suspender parcialmente a proibição da caça ao urso-negro-asiático.
A medida, recomendada por um conselho de especialistas, surge como resposta direta ao aumento alarmante de avistamentos e incidentes envolvendo esses animais em regiões montanhosas e florestais da capital japonesa.
A urgência do debate ficou evidente após um acidente recente na “Floresta Cidadã de Hinohara”. Um trilheiro de 56 anos sofreu ferimentos no rosto e nas pernas após despencar de uma altura de aproximadamente 10 metros ao tentar espantar um filhote de urso que cruzou seu caminho.
Em paralelo, registros de câmeras de monitoramento da Universidade de Agricultura de Tóquio, instaladas no Parque Nacional Chichibu-Tama-Kai (Okutama), confirmam a presença constante de espécimes adultos circulando perto de áreas de estudo.
Apenas este ano, Tóquio já contabilizou pelo menos 64 relatos de avistamentos ou vestígios de ursos em localidades como Okutama, Hachioji e Hinohara — um pico que começou a desenhar uma curva ascendente a partir do mês de abril.
Em Hachioji, imagens registraram uma mãe e seu filhote descendo as montanhas e se aproximando de áreas agrícolas.
Vantagens e desafios da nova medida
Embora a flexibilização da caça seja vista por especialistas como uma ferramenta importante para o manejo populacional e para a segurança pública, a decisão impõe desafios técnicos rigorosos.
Durante as reuniões do comitê governamental, ficou acordado que a atividade não será livre. Entre as diretrizes propostas, destacam-se:
- Exigência de alta experiência: devido aos riscos da atividade, sugeriu-se que apenas caçadores com mais de 10 anos de prática recebam a permissão.
- Cotas rígidas: o governo estabelecerá um número máximo permitido de capturas para evitar o desequilíbrio ambiental.
- Fins científicos: os ursos capturados serão alvo de investigações biológicas detalhadas para que a ecologia e o comportamento da espécie na região sejam mais bem compreendidos.
O Governo Metropolitano de Tóquio usará o parecer do conselho para formular um novo plano de manejo e a expectativa é que a suspensão da proibição entre em vigor já no próximo ano fiscal.
Fontes: NHK e NNN 


