O Departamento de Polícia Metropolitana prendeu três japoneses suspeitos de violar a Lei de Transplantes de Órgãos.
Eles são suspeitos de intermediar ilegalmente um transplante de rim no Camboja para um idoso de 70 anos, cobrando mais de 12 milhões de ienes (além de despesas médicas locais) pelo serviço.
Esta é a primeira vez no Japão que suspeitos são detidos por agenciamento de órgãos mediante pagamento desde que a lei foi promulgada, em 1997.
Os presos são 菊池仁達, 66 anos, ex-diretor da ONG “Associação de Apoio a Pacientes com Doenças Incuráveis“; seu filho, 菊池充, de 42; e 安藤貴樹, 66, executivo da associação “Escritório Internacional de Consultoria Médica”.
Até o momento, os investigados não admitiram nem negaram as suspeitas.
Modus operandi
De acordo com as investigações, o grupo utilizava o site do “Escritório Internacional de Consultoria Médica” para atrair pacientes.
A página afirmava que, embora as opções no Japão fossem escassas, os transplantes renais eram “procedimentos rotineiros e comprovados no exterior”, garantindo apoio apenas para órgãos de doadores vivos.
A vítima, um morador de Tóquio que sofria de doença renal há mais de uma década e não tinha doadores na família, encontrou o site no ano passado.
Por meio de e-mails e reuniões, os suspeitos o incentivaram a fazer a cirurgia fora do país, alegando falsamente: “O médico é um veterano experiente da China. Isso não é agenciamento, é apoio ao paciente, portanto não é ilegal“.
Valores e logística
Para concretizar o transplante, o idoso realizou uma série de pagamentos entre novembro e dezembro do ano passado.
- 3 milhões de ienes como taxas administrativas para a conta da associação;
- 9,36 milhões de ienes diretamente na conta pessoal de Hitoshi Kikuchi, disfarçados como gratificação médica;
- 157 mil dólares (cerca de 25 milhões de ienes na cotação da época) entregues diretamente a um coordenador chinês no Camboja para cobrir os custos hospitalares.
Após passar por testes de compatibilidade em Osaka, o paciente viajou para o Camboja em 6 de janeiro deste ano, acompanhado por Mitsuru Kikuchi.
Apenas dois dias após a chegada, ele foi submetido à cirurgia para o transplante do órgão em um hospital local, realizada por uma equipe de médicos chineses. Segundo o relato do paciente, a doadora do rim era uma jovem na faixa dos 20 anos, provavelmente cambojana.
Histórico criminal
A polícia suspeita que o trio tenha intermediado cirurgias para diversas outras pessoas entre março do ano passado e janeiro deste ano.
O histórico de Hitoshi Kikuchi chama a atenção: ele já havia sido preso e indiciado por facilitar transplantes ilegais de órgãos na Bielorrússia em 2022 através de sua antiga ONG. Condenado a oito meses de prisão, ele começou a cumprir a pena em janeiro deste ano.
As investigações apontam que Kikuchi criou a nova associação médica e estruturou todo o esquema no Camboja enquanto estava em liberdade sob fiança, aguardando o desfecho do primeiro julgamento.
Fonte: NHK 


