Cuba sofreu mais um apagão generalizado na tarde de segunda-feira (16), por volta das 13h40, horário de Havana, o sexto nos últimos dezoito meses, após uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional. Afetou cerca de 10 milhões de cubanos, ou seja, toda a população do país.
O apagão deixou todo o país sem energia elétrica, conforme confirmado pela União Elétrica Nacional (UNE), que informou a ativação de protocolos de emergência para tentar restabelecer o serviço.
A agência estatal alertou que a normalização do fornecimento pode levar várias horas devido ao estado da infraestrutura e à extensão dos danos.
Os apagões afetam a ilha em meio a uma crise energética crescente que se arrasta desde meados de 2024. Atualmente, nove das dezesseis usinas termelétricas que compõem a rede nacional estão fora de serviço.
Essas usinas respondem por aproximadamente 40% da geração de eletricidade do país, portanto, seu desligamento reduz a capacidade do sistema de atender à demanda interna.
Dificuldades do povo de Cuba
Desde 2022, os cortes de energia têm aumentado e se tornaram uma grande fonte de dificuldades para a vida cotidiana e a atividade econômica.
A frequência e a intensidade dos apagões aumentaram nos últimos meses, afetando seriamente o funcionamento de hospitais, escolas, indústrias e serviços básicos.
“Estamos sem energia há dias; não podemos trabalhar nem armazenar alimentos“, disse um morador de Havana.
Dependência do petróleo estrangeiro
A dependência da ilha em relação ao petróleo é histórica e também foi a sua ruína. Em janeiro passado, os Estados Unidos ameaçaram impor tarifas sobre as exportações de combustível para Havana.
Dois terços das necessidades energéticas de Cuba são supridas por meio da importação de combustíveis, principalmente da Venezuela e do México.
Oitenta por cento da matriz energética depende de 16 usinas termelétricas e de diversos motores a óleo combustível e diesel espalhados por todo o país.
Enquanto isso, os preços internacionais do petróleo continuam subindo, impulsionados pela instabilidade no Oriente Médio, o que pressiona ainda mais a capacidade de Cuba de acessar fontes de energia no mercado global.
Manifestações populares
A situação extrema das últimas semanas, alimentada pelo embargo de petróleo imposto por Washington, desencadeou pequenos protestos antigovernamentais — as últimas grandes marchas ocorreram em julho de 2021 e resultaram na condenação de mais de mil presos políticos a penas de até 30 anos — além de manifestações com panelas e um protesto com ocupação da Universidade de Havana.
No entanto, a crise também gerou imagens de maior escala: no último fim de semana, um grupo de manifestantes ateou fogo em frente à sede do Partido Comunista de Cuba (PCC, o único partido legal na ilha). Cinco cubanos foram presos até o momento.
Fontes: JNN, El País e Infobae 


