O número de trabalhadores estrangeiros no Japão atingiu um novo recorde histórico. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, o país tinha 2.571.037 trabalhadores estrangeiros em 31 de outubro de 2025.
O total representa um aumento de 268.450 pessoas em relação ao ano anterior. O número de estabelecimentos que empregam estrangeiros também chegou ao maior patamar já registrado: 371.215 locais de trabalho, alta de 29.128 em um ano.
Os dados fazem parte do levantamento anual sobre a situação de emprego de estrangeiros no Japão.
A publicação foi feita pelo ministério em 30 de janeiro de 2026 e reúne informações declaradas por empresas ao Hello Work, sistema público de emprego japonês.
De acordo com o ministério, tanto o número de trabalhadores estrangeiros quanto o de estabelecimentos empregadores são os maiores desde que a notificação se tornou obrigatória, em 2007. A taxa de crescimento do número de trabalhadores foi de 11,7% em relação ao ano anterior.
Brasileiros somam mais de 134 mil trabalhadores
Entre as nacionalidades, o maior grupo continua sendo o de trabalhadores do Vietnã, com 605.906 pessoas, o equivalente a 23,6% do total. Em seguida aparecem China, com 431.949 trabalhadores, e Filipinas, com 260.869.
O Brasil também aparece entre os principais países de origem dos trabalhadores estrangeiros. Segundo o gráfico divulgado pelo ministério, havia 134.645 trabalhadores brasileiros no Japão, correspondendo a 5,2% do total.
O número reforça a importância da comunidade brasileira no mercado de trabalho japonês, especialmente em setores como indústria, serviços, logística, alimentação e outras áreas com forte presença de mão de obra estrangeira.
Indústria ainda concentra maior parte dos trabalhadores estrangeiros
Por setor, a indústria manufatureira continua sendo a principal área de emprego para estrangeiros no Japão, reunindo 24,7% do total. Depois aparecem o setor de serviços, com 15,2%, e o atacado e varejo, com 13,3%.
O levantamento também mostra crescimento expressivo na área de saúde e bem-estar, cuja quantidade de trabalhadores estrangeiros teve aumento anual de 25,6%.
Esse avanço ocorre em meio ao envelhecimento da população japonesa e à falta de mão de obra em diversas áreas.
Para muitos brasileiros residentes no país, o dado ajuda a explicar a expansão de vagas para estrangeiros, mas também o aumento da atenção do governo sobre regras de contratação, permanência e integração.
Tóquio, Aichi e Osaka lideram em número de trabalhadores estrangeiros
Na divisão por províncias, Tóquio aparece em primeiro lugar, com 652.251 trabalhadores estrangeiros, ou 25,4% do total nacional. Em seguida vêm Aichi, com 249.076, e Osaka, com 208.051.
A presença de Aichi entre as primeiras posições é especialmente relevante para a comunidade brasileira, já que a província concentra um grande número de trabalhadores estrangeiros ligados à indústria automotiva, fábricas e empresas de terceirização.
Segundo o ministério, as maiores taxas de crescimento por província foram registradas em Wakayama, com alta de 19,2%, Osaka, com 19,1%, e Oita e Okinawa, ambas com 18,1%.
Vistos profissionais e técnicos lideram
Quando analisados por categoria de visto, os trabalhadores com status de residência em áreas profissionais e técnicas formam o maior grupo, com 865.588 pessoas, ou 33,7% do total.
Em seguida aparecem os estrangeiros com vistos baseados em condição pessoal, como residente permanente, cônjuge de japonês e residente de longa permanência, com 645.590 pessoas, e os trabalhadores do sistema de treinamento técnico, com 499.394.
O ministério também informou que o número de trabalhadores com visto de habilidades específicas chegou a 286.225, com alta anual de 79.230 pessoas, um crescimento de 38,3%.
Peso dos estrangeiros cresce em meio a debate sobre imigração
O recorde ocorre em um momento em que o Japão discute de forma cada vez mais intensa sua dependência da mão de obra estrangeira.
Ao mesmo tempo em que empresas enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores, o governo também tem endurecido regras e ampliado o debate sobre fiscalização, permanência e integração de estrangeiros.
Para brasileiros que vivem no Japão, os dados mostram que a presença estrangeira deixou de ser um fenômeno paralelo e passou a fazer parte estrutural do mercado de trabalho japonês.
O crescimento também pode influenciar políticas públicas, serviços de apoio em vários idiomas, regras de visto, programas de qualificação e a forma como empresas lidam com trabalhadores estrangeiros.
Fonte: Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão



