O número de casas abandonadas em todo o Japão ultrapassou a marca de 9 milhões, dobrando nas últimas três décadas e apresentando um desafio grave para os municípios locais.
Embora os governos locais estejam tentando intensificar as contramedidas, seus esforços são frequentemente paralisados por redes de herança extremamente complexas.
Em casos extremos, uma única propriedade abandonada pode estar vinculada a mais de 100 herdeiros espalhados por gerações.
Como o consentimento unânime de todos os herdeiros legais é exigido para qualquer venda ou demolição, essas propriedades permanecem em um limbo jurídico, impedindo que as autoridades tomem medidas diretas.
Confusão de propriedade e encargos administrativos
Esse impasse coloca um fardo pesado sobre os escritórios municipais, que recebem centenas de reclamações anuais sobre condições perigosas, como telhados em colapso, queda de detritos e vegetação excessiva.
Localizar as partes responsáveis tornou-se um pesadelo administrativo, já que a propriedade é frequentemente incerta devido a herdeiros que se mudaram para o exterior, permanecem incontactáveis ou desconhecem a existência do imóvel.
A questão é agravada quando membros imediatos da família renunciam à herança para evitar altos custos de demolição, o que transfere automaticamente os direitos de propriedade para parentes distantes e alheios à situação.
Embora o governo tenha introduzido a Lei de Medidas Especiais para Casas Vazias a fim de permitir a demolição de estruturas perigosas, o uso desses poderes permanece raro e financeiramente arriscado para os governos locais.
Quando os municípios realizam demolições administrativas em propriedades abandonadas com proprietários impossíveis de rastrear, eles são frequentemente forçados a arcar com os custos massivos de limpeza, levantando sérias preocupações públicas sobre o uso justo do dinheiro dos contribuintes.
Mesmo quando os herdeiros desejam agir corretamente, o fardo emocional e financeiro de coordenar com parentes distantes e contratar empresas privadas de descarte para limpar décadas de pertences pode levar anos para ser resolvido.
Reformas legislativas e soluções colaborativas
Para forçar a ação, o Japão revisou recentemente seus regulamentos para permitir que os municípios visem “casas vazias mal geridas” antes que cheguem ao ponto de colapso, dando às autoridades o poder de revogar benefícios fiscais valiosos de proprietários não cooperativos.
Alguns cidadãos também estão tomando medidas proativas, como casais sem filhos que organizam a gestão da propriedade com figuras da comunidade local antes de suas mortes para evitar futuras disputas legais.
Em última análise, os funcionários locais enfatizam que a resolução da crise habitacional do Japão exigirá:
- Cooperação mais profunda entre o governo, proprietários e herdeiros;
- Uma compreensão pública mais ampla sobre as complexidades modernas da herança japonesa;
- Adoção de medidas preventivas antes que os imóveis se tornem riscos estruturais.
Fonte: NOJ



