Diante do risco iminente de um megaterremoto na região metropolitana de Tóquio — cujas projeções apontam para um cenário catastrófico de até 18 mil fatalidades —, o governo japonês ratificou um plano estratégico de segurança.
A meta é arrojada: reduzir o número de óbitos em mais de 50% na próxima década através da instalação massiva de disjuntores sensíveis a abalos sísmicos em toda a capital e províncias adjacentes.
Em deliberação realizada na sexta-feira (12), o gabinete revisou as diretrizes de prontidão para um sismo direto sob Tóquio. O novo cronograma estabelece ações prioritárias de mitigação de danos que devem ser integralmente implementadas até o encerramento do ano fiscal de 2035.
O planejamento visa blindar a sociedade contra o pior cenário estimado, que prevê a destruição ou incêndio de aproximadamente 402 mil edificações. O foco é salvar vidas através da prevenção tecnológica.
“Reconhecemos que a adesão aos disjuntores preventivos ainda caminha em passos lentos. Nosso propósito é elevar o patamar de consciência pública e fomentar a adoção desses dispositivos, oferecendo suporte robusto aos programas de auxílio financeiro dos municípios”, afirmou Jiro Akama, ministro responsável pela Gestão de Desastres.
As novas diretrizes priorizam o combate a focos de incêndio, responsáveis por cerca de 70% da devastação em eventos de grande magnitude.
O gargalo da adesão aos disjuntores preventivos
A despeito da eficácia comprovada dos disjuntores sensíveis (kanshin bureekaa) na interrupção de curto-circuitos pós-tremor, a aceitação popular ainda é um desafio.
Um levantamento oficial nas zonas de maior risco revelou que apenas dois em cada dez entrevistados possuem o equipamento instalado em seus lares.
Projeções de especialistas divulgadas em dezembro indicam que a ausência desses sistemas poderia resultar em mais de 1,1 mil focos de incêndio simultâneos logo após o primeiro abalo severo.
Segundo a FDMA, o mercado oferece desde modelos mecânicos simplificados (por queda de peso) até sensores eletrônicos acoplados ao quadro de distribuição ou embutidos diretamente nas tomadas, que cessam o fluxo elétrico de forma autônoma.
Incentivos e subsídios municipais
Diversas administrações locais já operacionalizam sistemas de fomento para a aquisição dos dispositivos. Em Taito-ku (Tóquio), o governo subsidia até dois terços do valor, limitado a ¥50 mil.
Já em Yokohama, o aporte pode cobrir a totalidade dos custos, variando conforme a vulnerabilidade da área residencial.
Guia de aquisição
O equipamento, conhecido tecnicamente como “kanshin bureekaa” (感震ブレーカー), está disponível em grandes redes de eletrônicos e em portais como a Amazon ou Rakuten.
É recomendável pesquisar por “kanshin bureekaa josei” (感震ブレーカー助成) no site da sua prefeitura para verificar se há subsídio disponível. A prevenção é vital não apenas no Kanto, mas em todas as regiões sob ameaça do Nankai Trough.
Investir na interrupção automática da energia é, acima de tudo, um ato de preservação da vida e do seu patrimônio contra o fogo.
Fonte: NHK



